Onde foram parar os dinossauros?
A imaginação sempre me serviu de arma contra o tédio. Na minha infância, quando minha mente era um terreno ainda mais fértil, em menos de cinco minutos eu conseguia transformar qualquer ambiente chato num lugar recheado de histórias interessantes. Hoje em dia, com a cabeça cheia de preocupações, fica meio difícil manter a concentração para embarcar num universo paralelo e mais divertido. Um dos maiores propulsores da minha engenhosa imaginação eram os quadros. Atualmente, as figuras que costumo ver penduradas nas paredes são mais sóbrias, discretas. Não dá para criar um enredo muito rico a partir de elementos tão singelos. Antigamente, ir à casa de alguém - principalmente se fosse mais velho - era um parque de diversões mental. Os quadros eram mais berrantes, com personagens pitorescos e cenários fantásticos. Geralmente eram reproduções baratas, que desbotavam até com a luminosidade de uma lâmpada incandescente. Na casa da minha avó paterna, tinham quatro clássicos: a menina loirinha...