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Onde foram parar os dinossauros?

A imaginação sempre me serviu de arma contra o tédio. Na minha infância, quando minha mente era um terreno ainda mais fértil, em menos de cinco minutos eu conseguia transformar qualquer ambiente chato num lugar recheado de histórias interessantes. Hoje em dia, com a cabeça cheia de preocupações, fica meio difícil manter a concentração para embarcar num universo paralelo e mais divertido. Um dos maiores propulsores da minha engenhosa imaginação eram os quadros. Atualmente, as figuras que costumo ver penduradas nas paredes são mais sóbrias, discretas. Não dá para criar um enredo muito rico a partir de elementos tão singelos. Antigamente, ir à casa de alguém - principalmente se fosse mais velho - era um parque de diversões mental. Os quadros eram mais berrantes, com personagens pitorescos e cenários fantásticos. Geralmente eram reproduções baratas, que desbotavam até com a luminosidade de uma lâmpada incandescente. Na casa da minha avó paterna, tinham quatro clássicos: a menina loirinha...

Sapato novo

Eu calço é 37/ Meu pai me dá 36/ Dói, mas no dia seguinte/ Aperto meu pé outra vez/ Eu aperto meu pé outra vez/ (...) Pai já tô indo-me embora/ Eu quero partir sem brigar/ Já escolhi meu sapato/ Que não vai mais me apertar (Sapato 36 – Raul Seixas) Uma das coisas mais incômodas é qualquer tipo de calçado mal ajustado. Pode ser sapato, sandália, tênis. O modelo não importa. Se estiver apertado, faz calos, fere, incha o pé, dói até sugar a última gota de bom humor. Se estiver folgado, andamos inseguros, com medo de tropeçar e cair. Já passei maus bocados pra ficar mais arrumada. Quando eu era pequena, minha mãe impunha que eu tinha que usar o tal sapatinho envernizado para ir aos aniversários dos meus coleguinhas. Além de apertar meus dedos, o solado do sapatinho era muito liso. Tomei várias quedas durante as brincadeiras, pois não conseguia ficar assistindo a meninada se esbaldando. A única coisa legal dele é que dava para escorregar no chão recém encerado para a festinha. O tempo p...

Por que essa preguiça?

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Este texto do Bebe.com.br me ajudou a compreender a minha preguiça colossal para escrever, ultimamente. Guia de emoções na gravidez Por Jaqueline Amaral A partir do momento em que o bebê começa a se desenvolver, um turbilhão de sentimentos toma conta da cabeça da mulher. Alegria, medo, insegurança e ansiedade ao mesmo tempo e em alta dosagem. Ufa! Culpa dos hormônios? Em grande parte, sim. Essa instabilidade na cachola ocorre devido à brusca alteração dos níveis do estrógeno, que é o responsável pelas características femininas e cujas taxas sobem que nem foguete na gravidez ¬– tudo para deixar o organismo da futura mãe apto para o desenvolvimento da criança. Sem contar a progesterona, que tem a função de adequar o útero para receber o embrião. Saber lidar com todas essas transformações no corpo e na mente é uma árdua tarefa.

Meu amigo vai virar rua

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Paulo Pinheiro, eu e Felipe no Carnaval 2008. Foto de José Nazal Sabe aquelas pessoas que você mal conhece e já ama de verdade? Pois é, Paulo Pinheiro era assim. Deus me presenteou ao permitir que eu trabalhasse com esse cara único, que partiu cedo e deixou muita saudade. Aliás, saudade só, não. Ele deixou sua marca no mundo e em todas as pessoas que conviveram com ele. Sempre alto astral, era impossível passar uma manhã com ele sem dar uma boa risada. quando tinha alguma matéria de Cultura, ele já se prontificava a fazer. Às vezes usava tantos floreios que ele ria sozinho, identificando seus exageros. Paulo também era um cozinheiro de mão cheia. Certa vez, ele me prometeu um mousse de chocolate que não era trazido nunca. Enchi tanto a paciência dele que ele acabou fazendo um outro, de coco verde com calda de goiaba. Humm, babo só de lembrar. E ele foi embora sem me dar a receita... Trabalhamos juntos por quatro anos na ASCOM da Prefeitura de Ilhéus e, no dia em que comuniquei minha m...

Maldita inclusão digital

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Maldita inclusão digital! Maldita Tekpix! Maldito PC Positivo! Não quero dizer que a democratização do acesso às tecnologias seja ruim. Mas, quando caem em mãos despreparadas, podem se transformar em instrumentos de tortura ou armas letais. Primeiro foi a popularização do ICQ, seguido pelo MSN, Fotolog, Orkut, You Tube, celular, DVD, Mp 3,4,5, 1.000 player... Apesar das ferramentas de uso fantástico, a ignorância teve mais espaço para se propagar. Por isso, muitas vezes acabo amaldiçoando a tal inclusão digital. Lembro quando fiz meu curso de computação, em 1996. O Windows 95 ainda era uma novidade muito grande, por isso aprendi a mexer no Windows 3.1, que tinha que ser iniciado pelo MS-DOS. Eram raros os computadores com monitor colorido e os disquetes 3,5’’ armazenavam impressionantes 1,44 MB. Cabia tudo o que precisávamos! Meu primeiro computador foi um Pentium 166 com 10GB de HD. Com muito sacrifício, minha mãe pagou quase R$ 2 mil em 1998. Agora, poderia me livrar das folhas pau...

Minha profissão

Já faz mais de uma semana que os juízes do Superior Tribunal Federal decidiram que para ser jornalista não precisa mais de formação superior específica. Minha caixa de e-mails vem recebendo inúmeros textos que execram e aplaudem a decisão dos magistrados. Eu, o que penso? Sei lá. Acho que com diploma, ou não, a seleção natural acaba agindo. Estou jornalista há quatro anos. Há 10 anos, queria ser veterinária. Mas, um parto complicado de uma cachorrinha que tive fez com que eu repensasse a ideia de lidar com bichos, sangue, sofrimento, etc. Aí, uma amiga minha sugeriu: faz jornalismo. Eu sempre gostei de escrever, era boa em redação, curiosa. Mas o curso só tinha na UFBA e a condição financeira de meus pais impedia de cogitar uma faculdade particular. Bombei na Federal. Perdi logo na primeira fase. Mas ainda tinha a UESC, cujo curso era de Rádio e TV. Eu, com 17 anos recém completos, tinha que ser aprovada em alguma coisa. Minha mãe já tinha me dado o ultimato: não vou pagar cursinho, ...

Frase do dia

"Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação". Marcel Proust