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Feito um passarinho

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Acho tão bonitinha essa expressão “feito um passarinho”. Deixa qualquer coisa mais suave, até mesmo fofinha. Tem gente que dorme feito um passarinho, com sono curto e leve. Ser livre feito um passarinho, voar para onde e quando quiser, sem nada que impeça a vontade. Tem quem morre como um passarinho. Não a pedradas, mas de maneira sutil, natural. Tem quem come feito um passarinho. Quase nada, menos até do que o moderado. Eu já comi feito um passarinho, mas não nesses moldes. Vou explicar nas linhas seguintes.  Minha filha está com quase um ano e já se locomove por conta própria. Engatinhando pela casa, preenche o ambiente com o guinchado de seus pés arrastando no piso de cerâmica. E a hora de comer ganhou alguns complicadores. Quando ela está disposta a comer é uma maravilha. Acaba com o conteúdo do prato numa sequência ininterrupta. Mas quando a pequenininha quer bagunçar, é uma farra. Nos momentos de perseguição pela sala, ela come, ri, vira a cara, cospe, bate a mão e foge. Um...

Menina direitinha

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Isso é da época em que o carnaval trazia alguma boa lição de moral!

Oração das mulheres compromissadas

Essa eu vi num travesseiro, numa loja de presentes. Senhor, eu lhe peço... Sabedoria para entender meu homem, Alegria para animá-lo, Amor para perdoá-lo e Paciência para aceitar seus atos. Porque, Senhor, se eu lhe pedir forças e receber, Eu bato nele até matá-lo.  Amém.

É um porre

O líquido levemente amarronzado preenchia o pequeno cálice devagar. Sua consistência era menos densa do que eu imaginava. Finalmente, após anos de curiosidade, eu poderia provar a bebida enigmática, que provocava a minha imaginação. -Êpa, você está amamentando. Não pode beber! - Qual é? Só uma bicadinha para satisfazer a curiosidade. Tomei o cálice e senti pela primeira vez o aroma do licor. Eu imaginava algo parecido com chocolate, mas o perfume gostoso não me desapontou. Virei lentamente o líquido para que tocasse apenas a ponta da língua. E, a princípio, veio a decepção. Como toda bebida alcoólica, o amargor seguido da queimação. Mas, segundos depois, o sabor ficou bom, adocicado, bem diferente do que eu concebia. - Ah, Amarula é isso, então! Pronto, agora minha curiosidade foi morta! Quando eu ia a algum restaurante, a garrafa da tal Amarula me chamava atenção. O rótulo com o elefantão invocado e as frutinhas amarelas parecia com a capa de um livro infantil. O vidro marrom escuro ...

Promessas de ano novo

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Segundo a minha saudosa vó Miúda, o tempo está passando cada vez mais rápido porque o fim do mundo está próximo. Se Le grand finale é iminente ou não, sei lá. Mas que meu tempo está se esvaindo mais rápido, ah está, sim! Ainda mais tomando conta de uma menininha de oito meses, que praticamente é a minha dona. E como é bom ser dela! O meu dia começa com um choro e uma mamada. Aí vêm as fraldas, as manhas, a papinha, as brincadeiras. Pronto, foram-se 24 horas. E eu me pergunto: Qual era a ideia que eu tinha para aquele texto? O tempo engoliu com voracidade! Eu gostaria que a primeira postagem de 2011 trouxesse um mini balanço de 2010 e algumas metas para este novo ano. Minha vida sofreu tantas transformações que eu não poderia deixar de comentar algumas. Meu estado de espírito chegou às alturas do Monte Everest e também sucumbiu às abissais Fossas Marianas. Sofri com as mudanças, com a saudade, com decepções, com a solidão. Contudo, meu coração quase explodiu de júbilo com o nascimen...

A volta do Menino Maluquinho

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Há alguns dias, fui surpreendida com um presente muito legal. Quando a piscininha que compramos para Amélie chegou, Felipe, meu marido, puxou um pacote extra de dentro da caixa. Era um saco vermelho, amarrado com uma fita e acompanhado por cartão, que começava assim: Meu amor, a cada dia que passa fico mais “maluquinho” por você! Nem precisei ler o resto para saber o que havia dentro do embrulho. E isso me emocionou demais, pois o presente que Felipe estava me dando significava mais que uma demonstração de afeto. Demonstrava que ele estava com os ouvidos e coração sensíveis quando eu, cheia de saudade, falava do livro que marcou minha infância. E, 20 anos depois, eu ainda sabia de cor as primeiras frases: Era uma vez, um menino maluquinho. Ele tinha o olho maior que a barriga, tinha fogo no rabo, tinha vento nos pés... Eu fiquei tão sensibilizada com o mimo, que não tive como expressar direito todo o sentimento gostoso que foi despertado dentro de mim. Mas, Felipe me conhece muit...

Solucionando o soluço

Colocar uma linha vermelha na testa, prender a respiração, beber água com uma faca dentro do copo, levar um susto, comer açúcar, vestir um agasalho... Ih, já tentei tudo o que conheço para solucionar minhas crises de soluço. Graças a Deus, estão cada vez mais raras, mas quando resolvem aparecer, deixam-me revoltada, impaciente. É chato demais! Sendo meio “freudiana”, acho que a minha ojeriza aos soluços é culpa dos meus pais. Desde pequena, quando começava o meu “hic-hic”, os dois faziam um drama, parecendo que eu iria morrer. Iniciavam as sessões de simpatias, mandingas, dicas, macetes e demais testes comigo. De acordo com meu pai, a melhor solução para os soluços é respirar dentro de um copo de boca larga, vedando as laterais com as mãos. Ele defende essa teoria até hoje. Meu nariz ficava marcado, a minha respiração condensava dentro do copo e, nada. Depois de meia hora soluçando e sofrendo, a calmaria reinava. O pior era ter que ouvir o “eu disse que dava certo” do meu velho. O...