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Mostrando postagens de agosto 17, 2008

Troféu de Piranha

Não sei se a maioria das pessoas conhece o termo, mas é bem capaz de já terem visto, dado ou recebido o tal troféu. Não é reluzente ou grandioso. Mas quem o ganha precisa exibi-lo em meio a dezenas de pessoas. A entrega do “prêmio” não é embalada ao som do Hino Nacional. Talvez uma voz e violão, teclados, ou som mecânico tocando o ritmo mais apropriado ao ambiente: serestas, forrós, arrochas... Comercializado em cestinhas carregadas por vendedores que se esforçam em parecerem simpáticos, os troféus de piranha são dedicados exclusivamente ao sexo feminino. Afinal, qual mulher não gosta de ganhar flores? Não que todas que o recebam sejam piranhas, mas o comportamento de grande parte dos homens que compram a “peça” demonstra o desejo de que elas se comportem como tal. Ou querem facilitar o afastamento dos joelhos ou as recompensam pelos momentos prazerosos já vividos. Também não quero tirar o romantismo do troféu de piranha. Ainda há aqueles que o compram querendo agradar a amada de forma...

Querido Diário

Há alguns meses, mexendo numas caixas velhas, reencontrei meus antigos diários e agendas. Havia textos escritos há mais de 15 anos, quando eu estava recém saída da alfabetização. A princípio, meus olhos bateram logo nos erros ortográficos, típicos de quem ainda está aprendendo a dominar a complicada língua portuguesa. Mas, ao reler o que estava escrito, pude reviver momentos, sensações e sentimentos que hibernavam na minha memória. Eu fui da época em que os diários tinham cadeado. Enquanto os jovens de hoje expõem suas vidas íntimas em blogs, eu e minhas amigas preferíamos desabafar para o papel, escrevendo confissões, sonhos, angústias. A maioria dos textos remete a amores (correspondidos ou não), mas também há coisas do dia-a-dia: provas terríveis, mortes e nascimentos, passeios, viagens... A maioria das histórias começava com a célebre frase: “Querido Diário”. O Diário não era só uma forma de manter as recordações, era um amigo estimado, que a gente podia contar tudo sem ser julgada...

É da “rádia”?

Acho que são poucas as pessoas no mundo que se divertem em receber ligações de engano. Algumas situações são mais chatas que as outras, como ser acordado ou sair correndo do chuveiro para atender o telefone e ouvir alguém perguntando por um nome que nunca ouviu falar. O sentimento que causa é uma mistura de raiva e frustração. Como não sou melhor que ninguém, já atendi diversas ligações erradas. Pior é quando ligam de celular a cobrar e de número privado. Aí, quando desligamos, a pessoa do outro lado da linha ainda insiste e, quando você resolve atender, diz: - Não estava querendo falar comigo, não? – pergunta antes mesmo de ouvir um “Alô”. Quando os enganos telefônicos acontecem em série, faz qualquer um perder a paciência. Xingar e berrar com o “ligador” chato é clássico. Mas há algumas formas mais elaboradas de se livrar da criatura que não acerta ligar para o número certo. Algumas expressões, a exemplo de: “Deu uma saidinha”, “Mudou de cidade” ou até mesmo “Morreu” podem até funcio...

Gol de quem?

O futebol pode até ser uma paixão nacional e os campeonatos vêm para temperar ainda mais a vida dos amantes. Quem está jogando pode até não ser o time do coração, mas pode ser o do amigo, do vizinho ou de algum parente. O resultado vai render comemorações ou resenhas. Mas, quem ganhará? Nada contra o esporte, mas à algazarra causada por alguns torcedores mais afoitos, que colocam as horas de jogo (além do intervalo e das mesas redondas) como prioridade absoluta. Se as mulheres ficam vidradas nas novelas, os homens se descabelam pelo futebol. Na minha limitada avaliação, as confusões geradas a partir dos jogos de futebol parecem com as formas primitivas de disputas por território. Se os homens das cavernas guerreavam contra clãs diferentes por um local melhor, hoje, os homens modernos marcam seu território comparando títulos obtidos pelos clubes que adotam como seus. Ao vestir a camisa do time, o torcedor parece estar com uma armadura impenetrável. E, se a cerveja for sua companheira, ...

Extraviaram minha mãe

Já ouvi algumas histórias de pessoas que tiveram suas bagagens extraviadas ou perdidas em vôos. Mas, o meu caso foi bem diferente, pois extraviaram minha mãe. Como? Ao invés de fazer uma viagem de meia-hora, de Salvador para Ilhéus, ela foi passear em Aracaju e São Paulo. O infeliz extravio aconteceu quando resolvi dar de presente a minha mãe uma chance mais rápida para vir me ver. Como ela não gostava muito das várias horas de ônibus, pensei que um vôo seria maravilhoso. O meu suplício começou quando, ansiosa, estava esperando ela chegar no aeroporto. Como fazia tempo que ela não vinha à cidade, foi uma parte da família ficar esperando ela descer as escadas do avião. Faltando uns 10 minutos, meu padrasto me telefona: - Sua mãe só vai chegar amanhã de manhã, pois ela pegou o avião errado – informou-me. A princípio, pensei que fosse brincadeira dele. Fiquei aguardando o avião dela chegar, esperando vê-la desembarcar com um sorriso maroto. Mas, minhas esperanças foram frustradas, quando ...

Apertem os cintos, o padre sumiu!

Imaginem a cena: um garotinho olhando para o alto, com o dedinho apontado para o céu e perguntando para a sua mãe: - Mãe, o que é aquilo? É um pássaro? Um avião? É o super-homem? E a mãe respondendo: - Não, filho, é um padre! Pois é, a onda de religiosos alados não parou com a série americana, do início da década de 70, A noviça voadora. Na trama, a jovem atriz Sally Field interpretava a irmã Bertrille, que levantava vôo, quando uma ventania batia no chapelão aerodinâmico do seu hábito. A nossa versão brasileira ficou a cargo do padre paranaense Adelir de Carli, que tentou voar por 180 quilômetros, preso a balões coloridos. Mas, a aventura dele seguiu um caminho totalmente diferente da noviça voadora. Ao invés de salvar pessoas, ele é que está precisando de amparo. Está certo que se trata de uma situação lastimável, envolvendo um ser humano, com família, amigos e um sonho. Mas, a história não deixa de ser cômica. Ainda mais quando se escuta as últimas conversas dele pelo celular: - Alg...

Vergonha alheia

A primeira vez que ouvia expressão “vergonha alheia” foi num programa da MTV, apresentado por Marcos Mion. Ele usou o termo ao descrever o constrangimento que sentiu ao ver Ivete Sangalo e Rogério Flausino, imitando o personagem Barbosa, de Nei Latorraca, quando apresentaram um dos prêmios do VMB. Foi uma cena tão constrangedora, que só eles riram. Daí, o Mion descreveu o sentimento: vergonha alheia. Sentir vergonha alheia é quando nos envergonhamos ao ver alguém se envergonhar. É mais do que ficar sem graça. É compartilhar o sentimento causado por uma situação embaraçosa. É quando a gente não sabe se ri, chora, esconde a cara e dá vontade de “cuspir no chão e sair nadando”, só para fugir do constrangimento de assistir alguém fazendo bobagem. Uma das maiores “vergonhas alheias” que já senti, foi na última série do ensino médio. Lembro que tinha um professor todo gaiato. Em todas as aulas, contava uma piada, dava ousadia para os alunos brincarem com ele também. Só que, na minha turma, t...

Mais um ano juntos

Há três anos, eu e meu marido resolvemos comemorar mais um ano juntos indo ao shopping, em Itabuna. Pode não ser o programa mais romântico para um casal, mas, diante das possibilidades que atendiam ao nosso gosto, foi a mais viável. Comemos uma promoção número 1 do Mc Donald’s, tomamos sorvete e olhamos as vitrines. Ao final do dia, fomos andando até o centro da cidade para pegar o ônibus de volta pra casa. Como já era mais de 19 horas, o ponto estava cheio. Não pudemos ficar juntos. Felipe sentou num lugar paralelo ao meu e, virados para um para o outro, ficamos conversando. Na saída da cidade, perto do antigo parque Cavalo de Aço, um rapaz se levantou, foi até a cobradora e, puxando uma arma da cintura, anunciou o assalto. - Todo mundo abaixa, que é assalto – falou de maneira firme, com os olhos petrificados. Daí pra frente, eu abaixei e, prevendo a futura coleta dos pertences, deixei minha bolsa nos meus pés, no corredor. Fiquei olhando para meu marido, que, preocupado, falava, baix...

O Photoshop de antigamente

Ficamos tão maravilhados com os recursos de manipulação fotográfica de hoje, mas esquecemos que, nos tempos dos nossos avós, isso não era novidade. Os retoques em imperfeições físicas, hoje popularizados em tirar gordurinhas, espinhas, celulites e estrias, começaram a ser usados há décadas e os seus resultados já estiveram presentes em milhares de lares brasileiros. A expressão “photoshopado” virou sinônimo de alguém que teve seus atributos físicos melhorados digitalmente. E, quando penso em Photoshop, lembro logo da revista Playboy, que faz qualquer baranga virar musa depois de alguns cliques. Mas esse estica e puxa virtual não começou com a era da computação gráfica. Esses dias eu estava lembrando daqueles retratos pintados à mão que, geralmente, tinha na casa do pessoal “muito mais vivido”. Geralmente de casais (com homens sempre atrás das mulheres, para dar uma idéia de proteção), as fotografias passavam por maquiagens, cabeleireiro, figurino e “cirurgia plástica”. Se a pessoa tive...

O que o dinheiro não faz?

Há algumas semanas estive na capital baiana e conheci o Salvador Shopping. Como jeca do interior, cheguei cedo para aproveitar cada minuto naquele ambiente esterilizado, onde tudo parecia funcionar de maneira orquestrada. Estava me sentindo num filme futurístico, com uma voz dando boas vindas, as portas de ferro das lojas subindo sozinhas, telas de LCD servindo como vitrines, seguranças muito bem uniformizados andando em “Segway’s” (veículos com rodas paralelas, parecidos com patinetes), descargas a vácuo, pisos de vidro... Enquanto caminhava pelos corredores do Salvador Shopping, minha cabeça tabaroa registrava cada detalhe diferente. Fiquei besta ao ver que naquele local futurístico tinha Ricardo Eletro. A loja era tão bem arrumada que nem parecia pertencer à rede de apelo popular. Andei pelos corredores, admirando a beleza da arquitetura, paisagismo e decoração do local. Pensava: o que o dinheiro não faz? Aquele império do consumo futurístico me reservava ainda mais uma surpresa. Fu...

Que gosto tem o carnaval?

Sempre fui meio do contra: nunca gostei de carnaval. Enquanto minhas colegas contavam histórias de porres homéricos com direito a hospital ou do cara esfaqueado que passou segurando as tripas, eu falava da praia que tinha curtido ou dos lugares que visitei. Não condeno quem gosta da festa, mas sou bicho diurno, não tenho resistência para virar a noite, tomando empurrão e pisão no pé. Já cheguei a me considerar meio anormal por não gostar de carnaval. Quando tinha entre 14 e 16 anos, cheguei a sair em bloco. Antes de chegar ao final do circuito já estava pedindo para ir pra casa. Forcei minha natureza e constatei que a muvuca acompanhada de som alto e regada à cerveja não era a minha. Mas tem gente que espera o ano todo, torcendo para fevereiro chegar e se soltar durante o carnaval. Desligam-se das responsabilidades impostas pelo cotidiano e seguem o contrário do significado da palavra que dá nome à festa. Ao invés de dar adeus à carne, caem nela com gosto! Há ai...

Bundas, Brigas e Bocejo

Está chegando a época menos criativa de todos os programas e revistas de fofoca. Está vindo o período em que as rodas de conversa discutirão as personalidades, comportamentos e potenciais das celebridades instantâneas, que serão esquecidas mais rápido do que preparar um Miojo. Tranquem suas portas e desliguem suas televisões, vai começar mais um Big Brother Brasil! Já deu para perceber que não sou fã do programa. Detesto os chavões e textos filosóficos do Pedro Bial, tenho nojo dos pseudo-artistas gerados e total aversão ao blá-blá-blá sobre o assunto. Mas, tinha que abordar o tema, pois venho me sentindo acuada diante das ameaças do início do próximo BBB. Sei que vou enfrentar mais de dois meses de irritação, ouvindo que fulaninho fez, sicrana falou ou beltrano pensou em frente às câmeras da Rede Globo. Está para começar uma novela baseada numa realidade totalmente formatada para atrair a audiência, que mostra corpos seminus, festas e intrigas. Tudo o que já se vê no cotidiano, só que...

O tapa

Paixão de criança é uma coisa engraçada. Quem nunca teve um namoradinho ou namoradinha para ficar andando de mãos dadas, brincar juntos, dividir o lanche ou assistir desenhos. Estou falando do amor inocente, quando o fato de apenas achar bonito ou bonita já serve para dizer que, quando crescer, vai casar com aquela pessoa. Quando eu estava na pré-escola, era apaixonada por um menino. Ele era uma gracinha e também uma peste. Eu suspirava por ele, procurava sempre sentar junto, mas ele nem aí para mim. Cada vez que falava comigo, meu coração vibrava e meu dia estava ganho. Eu me sentia o Charlie Brown, que não tinha coragem de se declarar para sua Garotinha Ruiva. Certa manhã, na hora do recreio, tomei coragem e fui chamar o meu amado para brincar. - Quer brincar de casinha com a gente? – perguntei, timidamente, apontando para o grupinho reunido. Ele, sem que nem pra que, não gostou do convite e me deu um tapa no rosto, daqueles de estalar e deixar a marca dos dedos. - Brincar de ca...

Desprevenida

Vira e mexe, na capa de revistas ou sites especializados em celebridades, aparece alguma famosa clicada sem calcinha. Desde artistas internacionais, como a “surtada” Britney Spears até as brasileiras, como Juliana Paes. As fotos das famosas sempre com alguma tarja ou balãozinho cobrindo as partes pudendas logo viram anexos de e-mails. Lembro da primeira vez que ouvi falar de uma artista que não usava calcinha: Monique Evans. Isso foi nos saudosos anos 1980, quando a sexualidade (disfarçada de sensualidade) era exibida como exotismo brasileiro. Pensei: “que porca descarada”. Na minha mentalidade infantil, o uso da calcinha era mais que uma peça de roupa, era uma prova de dignidade. Com o passar do tempo, fui percebendo que não usar calcinha era mais comum do que eu imaginava. Algumas famosas declaravam abertamente que nem sempre usavam a peça. Até mesmo namorada de presidente apareceu com “tudo de fora”, num camarote de carnaval. “Marca a roupa”, dize...

A Testemunha

Era o final de uma tarde de domingo quando o tédio superou a preguiça e impulsionou o meu corpo a dar uma volta pela Avenida Soares Lopes. Ao dizer que pensei em “dar uma volta” percebe-se que meus recursos financeiros no momento não estavam lá muito abundantes. Mas os ossos já doíam de tanto ficar no sofá. Estava quente, o céu e o mar limpinhos. Tinha que aproveitar os últimos raios daquele Solzão bonito. Acompanhada do meu marido, saímos sem rumo certo. Sentir a brisa nos nossos rostos, ver a criançada brincando de bicicleta, as senhoras metidas a “cocotinhas” caminhando com suas roupas de ginástica, os casais de namorados tomando sorvete... Este foi o momento em que a contemplação do cotidiano caiu por terra, dando lugar para a gula. Estava quente, passei o dia inteiro enfurnada em casa, um sorvete não nos faria mais pobres. Sim, mas cadê o dinheiro? Lá fomos nós para calçadão, rumo ao Banco do Brasil para sacar a fortuna de dez reais. Com eu disse, a grana estava curta, não podíamo...

Papo de Vendedoras

É respondermos sim para um “Posso te ajudar?”, que os vendedores entram em nossas vidas e auxiliam a determinar como vamos gastar o nosso suado dinheirinho. Contamos sempre com a experiência daquela pessoa em lidar com diversos materiais e marcas, mas como saber se realmente vão nos ajudar a comprar aquilo que necessitamos ou cairá bem à nossa silhueta? Só sabendo o que se passa na cabeça daquelas criaturas alimentadas pelo nosso consumismo. Uma vez eu ouvi. Estava voltando para casa, num ônibus lotado, aqueles de final do dia. Duas mulheres uniformizadas sentaram atrás de mim e começaram a conversar: - Ai, minhas pernas! Não agüentava mais ficar em pé na porta daquela loja! – lamentou uma. - O pior é que sem vender nada. O povo não tem dinheiro! – disse a outra mais pessimista. - É. E o que me dá mais raiva é aquela gente que entra, faz a gente descer a mercadoria e depois diz que vai passar depois. Parece que não sabem o que...

E eles ainda disseram sim

Visualizem uma cerimônia de casamento: igreja ornamentada, noivo ansioso, música suave, pais orgulhosos, uma noiva enfeitada e emocionada. Nada de mais, não é? Mas, o que se espera do celebrante? Palavras de incentivo, bênçãos e votos de felicidade perpétua, certo? Pois é, não foi bem isto o que eu presenciei. Há alguns dias fui convidada para um casamento. Não sou daquelas que se debulham em lágrimas, mas é sempre bom estar entre pessoas felizes, comemorando uma união a qual se espera durar “até que a morte os separe”. Mas parecia que o padre não concordava muito com este conceito de alegria, fazendo considerações totalmente inversas ao imaginável. O sacerdote não conteve suas piadas machistas e superficiais a respeito do matrimônio e até disse que preferia estar entre os seus livros que casado. Começou a cerimônia com a seguinte anedota: “Sabiam que a visão do homem vai diminuindo depois dos vinte anos? É para não ver a mulher envelhecendo”. Alguns homens riram, as mulheres nem tan...

Monga e Eu

Quem nunca foi a um Parque de Diversões e se deparou com aquele trailer horripilante da incrível mulher que se transformava em gorila? Ou se nunca viu a atração, já deve ter ouvido falar. Há ainda aqueles que já viram, mas nunca entraram. Eu me pelava de medo da Monga, mas consegui superar. A minha primeira lembrança da Monga é de quando tinha uns cinco anos e dei chilique para ir embora ao ouvir a locução nefasta: “Mongaaa, a mulher-gorila”. Os desenhos do reboque da atração representavam uma mulher de seios fartos, com um biquíni mínimo, de estampa africana. Depois, tinha essa mesma dona sendo mordida pelo Drácula (Nunca entendi isto. Acho que ele cansou da Transilvânia e foi passar umas férias na África) e, em seguida, a criatura meio mulher, meio símio, concluindo com um macacão sanguinário. Para uma criança pequena, aquilo era a representação do inferno. Quando colocavam a propaganda da Monga nas caixas de som, eu ia embora mais cedo. Meus pais adoravam, pois ajudava a conter minh...

Mendicância Sistemática

Chega de “Eu podia estar matando, eu podia estar roubando”. Estamos na era da mendicância por bilhetinhos. E não são bilhetinhos ordinários, com caligrafia torta em papel amassado. São digitados, xerocados e plastificados! Melhores até que muitos cartões de visita. Bem feitos e duráveis para garantir muitas esmolas por tempo indeterminado. Os pedintes sistematizaram a esmolinha. As súplicas são bem escritas, tem estilo! Certa vez, no ônibus, deparei-me com a seguinte: “Prezado amigo, sou deficiente mental e Preciso da sua ajuda para sobreviver. Deus te ilumine”. Isto é uma aula de marketing! O cara mostra o produto, apela para o sentimental e ainda faz com que se sinta especial antes mesmo de contribuir. E, depois de entregar os cartões, ainda ratifica: “Qualquer dez centavos serve, porque o pouco com Deus é muito”. Imagino o que muitas pessoas devem estar achando desta minha análise: coração de pedra, coitadinho do cara, deficiente, precisando comprar remédios, precisando da sua ajuda...

RG Virtual

Os termos “site”, “e-mail”, “MSN”, “orkut”, “blog”, “You Tube” viraram tão cotidianos que são poucos aqueles que ficam quebrando a cabeça para saber o que significam. Pelo contrário, ao conhecer uma pessoa, já vamos trocando nossos endereços eletrônicos, indicamos comunidades interessantes, comentamos os vídeos engraçados... Caímos na rede mundial de computadores, nos embolamos e nem sabemos como entramos. Compramos, vendemos, conhecemos pessoas, discutimos, guardamos lembranças, exibimos nossas vidas e criamos outras que gostaríamos ter. Apesar de toda essa democratização da internet, nem todo mundo tem acesso regular ou facilidade com a interface virtual. Mas a necessidade de se integrar é tão grande e urgente que já existe um comércio para fazer com que esses “analfabetos digitais” façam parte desse ciberespaço. Há Lan Houses que criam perfis no orkut e MSN por apenas R$ 1,00! Em resumo: emitem seu RG virtual. São uma mistura de Dora (a escrevedora de cartas do filme Central do Bra...