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Mostrando postagens de 2010

A volta do Menino Maluquinho

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Há alguns dias, fui surpreendida com um presente muito legal. Quando a piscininha que compramos para Amélie chegou, Felipe, meu marido, puxou um pacote extra de dentro da caixa. Era um saco vermelho, amarrado com uma fita e acompanhado por cartão, que começava assim: Meu amor, a cada dia que passa fico mais “maluquinho” por você! Nem precisei ler o resto para saber o que havia dentro do embrulho. E isso me emocionou demais, pois o presente que Felipe estava me dando significava mais que uma demonstração de afeto. Demonstrava que ele estava com os ouvidos e coração sensíveis quando eu, cheia de saudade, falava do livro que marcou minha infância. E, 20 anos depois, eu ainda sabia de cor as primeiras frases: Era uma vez, um menino maluquinho. Ele tinha o olho maior que a barriga, tinha fogo no rabo, tinha vento nos pés... Eu fiquei tão sensibilizada com o mimo, que não tive como expressar direito todo o sentimento gostoso que foi despertado dentro de mim. Mas, Felipe me conhece muit...

Solucionando o soluço

Colocar uma linha vermelha na testa, prender a respiração, beber água com uma faca dentro do copo, levar um susto, comer açúcar, vestir um agasalho... Ih, já tentei tudo o que conheço para solucionar minhas crises de soluço. Graças a Deus, estão cada vez mais raras, mas quando resolvem aparecer, deixam-me revoltada, impaciente. É chato demais! Sendo meio “freudiana”, acho que a minha ojeriza aos soluços é culpa dos meus pais. Desde pequena, quando começava o meu “hic-hic”, os dois faziam um drama, parecendo que eu iria morrer. Iniciavam as sessões de simpatias, mandingas, dicas, macetes e demais testes comigo. De acordo com meu pai, a melhor solução para os soluços é respirar dentro de um copo de boca larga, vedando as laterais com as mãos. Ele defende essa teoria até hoje. Meu nariz ficava marcado, a minha respiração condensava dentro do copo e, nada. Depois de meia hora soluçando e sofrendo, a calmaria reinava. O pior era ter que ouvir o “eu disse que dava certo” do meu velho. O...

Boa de Cama

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Eu sei que sou boa e cama e Felipe, meu marido, pode confirmar isso. Certa vez, num final de semana sem nada para fazer, cheguei a dormir mais de 12 horas só por diversão. Isso mesmo. Durmo não só por necessidade, mas também por puro prazer, por amor à minha doce caminha. Na semana passada, dei-me um presentão de aniversário atrasado. Minha cama Queen Size com molas ensacadas. Ô, coisa boa! Além do espaço para me esparramar, quando um mexe de um lado, o outro não sente. Coisa chique mesmo. Eu mereço e Felipe também agradece por não dormir mais com os pés para fora! Mas antes de chegar à minha cama dos sonhos, já passei por algumas outras que não favoreciam em nada meus sonhos. Quando morava com minha mãe, minha cama era de cimento. Dependendo do colchão, eu tinha sérios problemas com a cabeceira. Quando o colchão era fino, batia a nuca. Quando era alto, caía no buraco entre a parede e a cama. Minha segunda cama foi quando fui morar com meu pai. Era uma cama de madeira pesada com...

Comédia Romântica

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Ontem, fez 10 anos e 5 meses que Felipe e eu estamos juntos. Como sou romântica, beirando a cafonice, penso em nossa história como uma comédia romântica. Desde a maneira que nos apaixonamos, as situações que vivemos (de lindas a esdrúxulas), os momentos críticos que superamos e a expectativa se poderemos realizar tudo o que sonhamos juntos. Nós nos apaixonamos à primeira vista. Foi em 24 de fevereiro de 2000, no dia da matrícula da UESC. Eu olhei para aquele menino sentado perto da escada do primeiro andar do pavilhão Adonias Filho. Ele usava um short vermelho e uma camiseta cinza, com uns peixes estampados. Fiquei com uma vontade imensa de falar com ele, mas meu pai fez questão de saber como era fazer matrícula na universidade e eu não tive chance. Depois que vi Felipe, não deixei de pensar nele. Não sabia qual era seu nome, mas sempre vinha na minha cabeça se nós poderíamos ser bons colegas ao longo dos quatro anos de curso. Eu praticamente ignorava o fato de que já namorava há ...

Aprendendo a amar

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Nunca havia encarado amar como uma ação que se escolhe. Talvez movida pelos ideias românticos dos contos de fadas, amar seria algo transcendental, acima da razão. Mas, assistindo a um estudo bíblico, cheguei à conclusão de que temos controle sobre nossos sentimentos. Afinal, amar é um mandamento, o maior de todos. E, como toda ordem, exige uma ação. Sendo uma ação, podemos optar desempenhá-la. Escolher amar não está entre as tarefas mais fáceis. Quando temos afinidades com alguém é natural termos afeição pelo outro. O engraçado é que cada um demonstra à sua maneira. Para uns, amar é saber que a pessoa está bem. Têm aqueles que encaram o amor como ficar sempre junto, cuidando. Contudo, quando há divergências ou somos ofendidos, o afeto é o sentimento que passa mais longe. É o momento em que entra o mandamento cristão. Ir além dos sentimentos humanos, carnais e buscar a santidade. Aí, só com muita oração e intervenção do Espírito Santo. Para os materialistas, sessões de terapia ajudam...

Sorte do dia do Orkut

O mundo é uma tragédia para os que sentem e uma comédia para os que pensam. Horace Walpole

Se entrou tem que sair

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Dona Barriga e eu dias antes de Amélie nascer Os três quilos perdidos além dos 16 que adquiri ao longo da gravidez me deixaram confiante para iniciar meu projeto “mamãe gostosa”. Está sendo ótimo vestir minhas calças jeans e conseguir fechá-las. As camisetas ainda estão apertadas por causa da “turbinada” da amamentação. Mas não faz mal. Para quem beirou os 80 quilos, voltar à casa dos 50 é bom demais! O meu emagrecimento está sendo super rápido. Em apenas três meses, apaguei os vestígios mais evidentes da minha condição interessante e do barrigão imponente. A amamentação está sendo minha amiga e a dieta para evitar cólicas em minha buguela também colabora. Nada de refrigerante, pouquíssimo chocolate e gordura, farinha só em ocasiões especiais. Outra grande colaboradora é a solidão. Ficar longe da minha terra e do meu povo está funcionando como regulador de apetite. Desde o boom dos 10 quilos em quatro meses, quando me casei e fui morar em ...

Patos mascarados

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www.gargalhando.com

Saldando dívida

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Amamentar não é apenas um ato de amor. É um ato de MUITO amor. Eu adoro dar mama à minha filha, é gostoso demais tê-la aninhada em meus braços, saber que estou contribuindo para seu desenvolvimento... Outra vantagem maravilhosa: ajuda a emagrecer! Já perdi 19 kg dos 16kg que ganhei. Mas no começo doeu demais. Primeiro, o bico do peito é esfolado pela boquinha faminta. Na sequência, viram as feridas. Até cicatrizar foi um martírio. Depois fiquei craque e a sensação passou a ser maravilhosa. Eu só passei a produzir leite uns dois dias depois de parir. Fiquei angustiada, já que não queria dar fórmula à minha filhotinha. Queria dar o melhor a ela e sei que o leite materno é o alimento mais completo, uma vacina natural e estreita os laços entre mãe e bebê. Para o leite vir, a pediatra recomendou que eu tomasse tintura de algodoeiro. Vende em farmácias de manipulação. O troço é ruim, mas funciona legal. Logo virei uma “vaca holandesa”. Passei três sem...

A dinâmica dos casais

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O preço da curiosidade

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Os desejos de saber e investigar sempre foram meus companheiros. Desde criança, eu enchia todos de perguntas, de porquês e para quês. Além dos questionamentos, eu explorava o mundo sem medo para tentar saciar minha sede de informações, por mais inúteis que fossem. Desmontava brinquedos, enveredava-me pelo mato, subia em muros, entrava na ala de isolamento do Hospital Regional, quando minha mãe me levava para trabalhar... Se o local tivesse entrada proibida, aí é que eu ficava ainda mais instigada a desvendar os mistérios. Eu ainda sou o terror de shows de mágicos. Quando fui a Beto Carrero World com a excursão do terceiro ano, não continha minha boca ao identificar os truques. Além de rir bastante, eu dava uma de Mister M e explicava a ilusão para quem estivesse do lado, que não escolhia me ouvir ou não. Antes do Google, chegava a perder horas tentando me lembrar de nomes de personagens de filmes e desenhos. Não deixo de espremer minha memória até me lembrar da informação. Certa vez, ...

Encontrando a outra

Assisti há alguns dias o vídeo da mulher traída de Sorocaba, que gravou e publicou no You Tube o momento em que jogou e deu na cara da suposta amiga que mantinha um caso com seu marido durante cinco anos. A traída usou a tecnologia em seu favor. Instalou um programa espião que gravava as conversas entre os amantes, imprimiu e-mails, tinha fotografias, vídeos, o diabo a quatro. Era um verdadeiro dossiê do chifre da era digital! Atualmente, descobrir uma traição ficou muito mais fácil. Os amantes precisam pensar em muitos detalhes para se esconderem dos traídos. O antigo batom na cueca e o perfume na camisa ganharam roupagem hi-tech. É e-mail, MSN, Orkut, celular, histórico do navegador da internet. Tem que ser muito ninja para não acabar deixando um rastro. Isso sem contar com o sexto sentido feminino e os dedos-duros que metem a colher nas brigas de marido e mulher. Levar um chifre não é algo simples de digerir. É como engolir um gato vivo, que desce arranhando a garganta. Al...

O trauma do quebra-queixo

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Eu como quebra-queixo, mas não compro. Gosto muito de sentir os pedacinhos de coco envolvidos no melado de açúcar, mas não saio na porta para comprar. Só compro os vendidos no supermercado, que são secos e sem graça. Desses eu não tenho medo. Sim, medo decorrente de um trauma de infância. Ih, é uma história meio longa que tentarei resumir. Ilhéus, 1988. Todas as tardes, um garoto franzino passava equilibrando um pesado tabuleiro na cabeça, tocando o seu triângulo, vendendo quebra-queixos. Todas as tardes, eu fazia questão de comprar o doce, que custava 1 cruzado. Ele, sempre cansado, pedia água e conversava um pouco. O jovem contava sua vida sofrida, que dormia numa esteira no chão, o pai doente, a mãe falecida, irmãos pequenos... Minha mãe até deu uma bolsinha minha a ele para guardar o dinheiro, que embolava dentro do bolso e corria o risco de perder. Vida triste, igual a de muitos outros pobres meninos que ajudavam a completar a renda da família. Certo dia, meu pai viajou e deixou...

Mãe sim, e daí?

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A descoberta da minha gravidez foi uma bênção surpresa. Depois de 9 anos juntos e 5 anos de casados, meu marido e eu já tínhamos plena consciência que um filho biológico seria complicado. Os problemas eram meus cistos nos ovários e as baixas contagem e motilidade constatadas no espermograma. Gerar uma criança era um sonho tão distante quanto ir à Lua. Mas Deus parece se divertir ao fazer com que experimentemos o improvável e o impossível. No dia 08 de outubro de 2009, o positivo em caixa alta escrito no exame Beta HCG iniciou a mudança de nossas vidas para uma realidade totalmente nova. Saber que eu estava gerando uma vida, que havia um ser humano crescendo dentro de mim me deixava aérea. Eu estava carregando alguém que eu iria amar e traumatizar! Uma nova alma, uma nova consciência, um novo universo. Tanto estava confusa que demorei para digerir a informação. - Karol, você sabe o que está acontecendo? – perguntou-me Felipe enquanto eu falava sem parar após abrir o ex...

Onde foram parar os dinossauros?

A imaginação sempre me serviu de arma contra o tédio. Na minha infância, quando minha mente era um terreno ainda mais fértil, em menos de cinco minutos eu conseguia transformar qualquer ambiente chato num lugar recheado de histórias interessantes. Hoje em dia, com a cabeça cheia de preocupações, fica meio difícil manter a concentração para embarcar num universo paralelo e mais divertido. Um dos maiores propulsores da minha engenhosa imaginação eram os quadros. Atualmente, as figuras que costumo ver penduradas nas paredes são mais sóbrias, discretas. Não dá para criar um enredo muito rico a partir de elementos tão singelos. Antigamente, ir à casa de alguém - principalmente se fosse mais velho - era um parque de diversões mental. Os quadros eram mais berrantes, com personagens pitorescos e cenários fantásticos. Geralmente eram reproduções baratas, que desbotavam até com a luminosidade de uma lâmpada incandescente. Na casa da minha avó paterna, tinham quatro clássicos: a menina loirinha...

Sapato novo

Eu calço é 37/ Meu pai me dá 36/ Dói, mas no dia seguinte/ Aperto meu pé outra vez/ Eu aperto meu pé outra vez/ (...) Pai já tô indo-me embora/ Eu quero partir sem brigar/ Já escolhi meu sapato/ Que não vai mais me apertar (Sapato 36 – Raul Seixas) Uma das coisas mais incômodas é qualquer tipo de calçado mal ajustado. Pode ser sapato, sandália, tênis. O modelo não importa. Se estiver apertado, faz calos, fere, incha o pé, dói até sugar a última gota de bom humor. Se estiver folgado, andamos inseguros, com medo de tropeçar e cair. Já passei maus bocados pra ficar mais arrumada. Quando eu era pequena, minha mãe impunha que eu tinha que usar o tal sapatinho envernizado para ir aos aniversários dos meus coleguinhas. Além de apertar meus dedos, o solado do sapatinho era muito liso. Tomei várias quedas durante as brincadeiras, pois não conseguia ficar assistindo a meninada se esbaldando. A única coisa legal dele é que dava para escorregar no chão recém encerado para a festinha. O tempo p...