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Mostrando postagens de 2011

O natal mais surreal

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Nesse clima de final de ano, com a programação televisiva em clima de alegria e confraternização, eu fico me sentindo ainda pior nesse meu exílio, nesse deserto cujas temperaturas mínimas (isso mesmo, mínimas), ficam em torno de 27°. Não sou ligada aos rituais da época, não vejo muito sentido. Mas sou a favor de estar com pessoas que amo, tendo muitas conversas, risadas e comilanças. Não sinto falta das ceias de Natal ao Ano Novo. Sinto falta de estar com a minha gente que ama e compreende o meu jeito bobo.  No último dia 24, minha mãe ainda tentou fazer uma ceia para “não passar em branco”, como disse ela. Teve arroz com legumes, farofa com passas (que eu catei uma a uma), um chester tão macio que a carne soltava dos ossos e, de sobremesa, um pudim de cremosidade perfeita. Apesar de todo carinho com que minha mãe temperou a comida, não passou de uma refeição gostosa. Sem desmerecer as companhias dela, do meu marido e da minha filha, mas senti falta de mais gente para comentar a r...

O que é isso?

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Mas tem que saber como funciona também!

Sensor de movimento

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Sempre fico aflita quando tenho que utilizar algum equipamento com sensor de movimento. Minha impressão é que aquilo nunca vai funcionar, por mais que eu me mexa. Não é “tecnofobia”. É que, por mais que eu me sinta inferiorizada, minha timidez faz com que eu me ache o centro das atenções. Como se todos à minha volta esperassem eu fazer alguma besteira para soltar gigantescos “Ha-ha-ha”, igual no desenho do Charlie Brown. E, como a maioria desses equipamentos está em locais públicos, dispara também meu sensor de ansiedade.  Parece que a porta eletrônica nunca vai abrir, mesmo que eu dance igual ao Mc Hammer em sua frente, indo de um lado a outro feito uma impressora matricial. Eu nunca sei o quanto devo passar minhas mãos embaixo das torneiras para que comecem a me fornecer água e também não sei por quanto tempo devo continuar me movimentando para que elas não desliguem no meio da lavagem. Ainda existem os secadores de mão, que viraram moda depois da onda ecologicamente correta de...

Quando perguntar ofende

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Falta mais de um mês para 25 de dezembro, mas a decoração natalina já chegou às vitrines e prateleiras do comércio. E começam também a aparecer algumas residências iluminadas com pisca-piscas, papais-noéis... Para mim, o Natal é uma festa tão artificial quanto seus ornamentos, um costume tão importado quanto o Halloween. É risível ver pinheirinhos de plástico borrifados com tinta branca num país tropical. E mais: em pleno sertão, quando dezembro é a época do calor mais infernal.  Sei que tem gente que acha o Natal a melhor época do ano. Tem o lance da confraternização, troca de presentes, ceia em família, etc. Só que eu também tenho direito de considerar a época chata, hipócrita, consumista. Na minha casa é que os enfeites não entram. Papai-Noel então, nunca passará de um personagem fictício e comercial para a minha filha. E se ela me perguntar se Jesus nasceu mesmo nessa data, explico que a inventaram para substituir festas pagãs.  Como quase todas as aversões que sinto, ...

Morte encomendada

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Fui acordada com os seus gritos enquanto ela era arrastada pelo beco. Eram gritos histéricos, desesperados, de quem sabia que seu destino não seria nada agradável. Depois de ouvir as súplicas por piedade não consegui mais pregar os olhos. Revirei-me na cama pensando no que ela estaria sentindo naquele momento, com os pés amarrados, carregada de qualquer jeito pelos seus membros superiores, enquanto, assustada, observava o ambiente estranho ao seu redor sem entender direito o porquê de estar ali.  Não consegui mais dormir, pensando na execução iminente da pobre vítima. Ouvi o ruído dos seus pés arranhando o balcão inox, mais alguns gritos e depois só o silêncio. “Ela morreu agora”, pensei. E a angústia cresceu ainda mais, pois eu sabia que teria que encarar o corpo sem vida. Ainda no meu quarto, não sabia o cenário que iria encontrar. Será que havia sangue espalhado? Será que ela sentiu a morte chegar aos poucos, enquanto a vida se esvaía pelo corte em seu pescoço? Foi terrível ima...

Pai para toda obra

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Ô leva eu, minha saudade... Este domingo (14), será o dia dos pais. Infelizmente, não poderei comemorar a data ao lado do meu, já que estamos separados por mais de 700 quilômetros. A vantagem é que, mesmo com grande distância física, sempre estamos próximos em coração. E as tecnologias ajudam a diminuir a saudade. Compartilhamos nossas vidas através de longas conversas por telefone, ele vê um pouco do que estou fazendo pela internet... Mas nada substitui o contato físico, que é o único remédio eficaz contra a saudade.  Meu pai e eu sempre fomos próximos, apesar de sermos bem diferentes. Quando eu era pequena, era ele quem cuidava de mim enquanto minha mãe trabalhava. Costumo dizer que tive uma criação às avessas. Meu pai era quem me dava banho, levava para a escola, para o médico, para passear, penteava meus cabelos, cortava minhas unhas e até brincava de boneca comigo. Uma das lembranças mais gostosas é quando ele me colocava para dormir, aconchegada em seu peito e canta...

De quem eram os caracóis?

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Meu pai sempre me disse que todo mundo nasce com um dom, um talento especial. Confesso que até hoje nunca descobri o meu. Penso que dom deve ser algo que você seja capaz de fazer acima da média e eu me considero mediana em tudo, para não dizer medíocre em muitas coisas.  Já tentei aprender esportes e nunca me dei bem em nenhum. Até pra correr eu tenho falta de coordenação! Para tocar instrumentos tenho certa facilidade, aprendo com bastante rapidez, mas me falta disciplina. Dançar piorou. Se não acerto respirar e correr, que dirá  movimentar braços, pernas e quadris em direções opostas. Cozinhar é uma atividade que só exerço quando estou de veneta. Faço até uns pratos gostosinhos (brigadeiro é comida, tá?), porém nada estupendo.  Mas já que toquei no assunto comida, acho que identifiquei minha habilidade. E não é comer, embora faça isso com bastante satisfação. Se eu fosse mutante, com algum poder especial, seria o de encontrar cabelos em comida. Essa, sim, é a minha ma...

O gato comeu

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Sempre me questionei se há diferença entre sentir culpa ou remorso. Apesar de parecerem sinônimos, penso que o segundo sentimento é o mais pesado, sendo provocado pelo primeiro. Mas o indubitável é que sentir qualquer um dos dois é terrível, um martírio o qual a consciência faz o papel de carrasco cruel digno de servir ao Tribunal do Santo Ofício da Inquisição.  Na dúvida entre as definições dos sentimentos, procurei o dicionário. Usei o online mesmo, pois estava sem ânimo para fuçar a estante empoeirada e buscar o velho Aurélio, montado ao longo da compra de várias edições da Folha de São Paulo. E também é mais fácil de copiar e colar, né? (Ah! Estou há mais de um ano sem dormir. A preguiça é mais que justificável!)  Culpa: s.f. Ato ou omissão repreensível ou criminosa; falta voluntária, delito, crime.  Remorso: s.m. Reprovação da consciência que sente haver cometido uma falta.  Ler esses significados ajudou a clarear minha mente e reforçou a ideia que eu já ti...

Se fizessem um filme

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Sempre que eu ouço uma música que conta alguma história, eu construo todo o roteiro em minha imaginação, visualizando a letra em cenas com pessoas reais, cenário, figurino e, claro, trilha sonora!  Recentemente, li que no site Omelete que estão filmando "Faroeste Caboclo", de Renato Russo. Finalmente as aventuras e desventuras de João do Santo Cristo, Maria Lúcia, Jeremias e companhia ganharão vida fora da mente de quem ouve a canção. Os protagonistas são os atores Fabrício Boliveira e Ísis Valverde. Espero que o roteiro de   Marcos Bernstein  ("O outro lado da rua " - filme muito legal com Fernanda Montenegro e Raul Cortez )  e  Victor Atherino supere o criado por minha cabeça. Mas o que motivou esse post foi o vídeo da campanha para o dia dos namorados da Vivo, que  também bebeu na fonte de Renato Russo, dando vida a "Eduardo e Mônica". A princípio, rumores diziam que se tratava de um longametragem, mas logo foi esclarecido pela imprensa que se trata...

Os cães ladram e...

Aqui em casa tem três cachorros que não valem por um. Dois são meus, Lola e Garu, que juntos não pesam nem quatro quilos. Ainda tem Nina, que pertence à minha mãe e é um trisco de nada que mal chega a um quilo. Todos adultos da raça pinscher e parentes. Lola é mãe de Garu e Nina é sobrinha de Lola. A família incluía ainda Lindinha e Zuca. A primeira morreu no ano passado e a segunda está fazendo companhia para uma antiga vizinha. Praticamente uma dinastia de pinschers!  Apesar do tamanho diminuto, os três são excelentes cães de guarda. Latem para tudo e todos como se pudessem destruir qualquer coisa com o barulho estridente que produzem. Porém, isso acontece apenas quando não está fazendo um friozinho e elegem como prioridade ficar aninhados entre seus paninhos quentes. Mas, no geral, latem para qualquer coisa que considerem um invasor: pássaros, calangos, o rapaz da água mineral, fogos de artifício e gatos. Os últimos são os mais irritantes, pois pirraçam legal. Ficam miando no m...

Que minha filha nunca faça isso!!

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Depois de assistir a esse vídeo, eu peço a Deus que minha filha nunca faça isso. Acho que eu teria um ataque de pelanca!  Esse vídeo eu achei no Jacaré Banguela .

Momentos Mãe

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Daileon

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Não sei o que é, mas acho que quando se vira mãe/pai, a gente perde a capacidade de falar e entender certos nomes corretamente. Acontece muito quando queremos nos referir a alguém famoso. Eu achava que isso nunca aconteceria comigo, mas aconteceu. E essa constatação é internacional, como o pessoal do Saturday Night Live brinca nesse vídeo: Uma vez, eu quis comentar sobre o problema de umidade nas paredes e quis citar como exemplo atriz que morreu contaminada pelo mofo da casa. Saí chutando tanta besteira até que o cérebro esquentou para Hillary Duff. -Brittany Murphy! Brittany Murphy! - socorreu-me Felipe. - Ah, eu sou mãe, agora eu posso!  Mas tem outro tipo de gente, que escuta o que quer. Minha mãe mesmo, pega o celular chinês de minha filha e fica querendo traduzir o que estão dizendo. Já saiu "Ai, ai, menina nota 10", "Ai, ai, Calypso nota 10"... E por aí vai. Só lembrei desse vídeo do saudoso seriado japonês Jaspion. Com vocês, o gigante guerreiro Daileon...

Ai, meus ovos!

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Eu tinha três ovos minúsculos. Apesar de não me orgulhar deles, era melhor que nada. Eles vinham numa maleta transparente, acompanhados por uma caneta Bic que não funcionava nem sob reza braba. A maleta ainda era fechada com grampeador (ah, as normas de segurança dos anos 1980! Existia Inmetro?). Além de ficar desapontada com a péssima qualidade do “mimo”, corria o risco de ganhar uma espetada ou, quem sabe, até um grampo atravessando o dedo. Esse foi o meu presente de Páscoa de boa parte da minha infância.  Os ovinhos de chocolate eram horríveis. Acho que a Garoto fazia com os restos do Batom, pois o gosto era medonho. Mas aquelas coisinhas chochas, ocas, sem graça e que colocavam minha integridade física em risco tinham que cumprir o papel de me alegrar na Páscoa. Aliás, no domingo pascal já tinham virado lenda, pois meus pais sempre me davam a maletinha de ovos antes. E alguém já ouviu falar de alguma criança humana de três a sete anos com autocontrole? Só se for algum andrói...

Feito um passarinho

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Acho tão bonitinha essa expressão “feito um passarinho”. Deixa qualquer coisa mais suave, até mesmo fofinha. Tem gente que dorme feito um passarinho, com sono curto e leve. Ser livre feito um passarinho, voar para onde e quando quiser, sem nada que impeça a vontade. Tem quem morre como um passarinho. Não a pedradas, mas de maneira sutil, natural. Tem quem come feito um passarinho. Quase nada, menos até do que o moderado. Eu já comi feito um passarinho, mas não nesses moldes. Vou explicar nas linhas seguintes.  Minha filha está com quase um ano e já se locomove por conta própria. Engatinhando pela casa, preenche o ambiente com o guinchado de seus pés arrastando no piso de cerâmica. E a hora de comer ganhou alguns complicadores. Quando ela está disposta a comer é uma maravilha. Acaba com o conteúdo do prato numa sequência ininterrupta. Mas quando a pequenininha quer bagunçar, é uma farra. Nos momentos de perseguição pela sala, ela come, ri, vira a cara, cospe, bate a mão e foge. Um...

Menina direitinha

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Isso é da época em que o carnaval trazia alguma boa lição de moral!

Oração das mulheres compromissadas

Essa eu vi num travesseiro, numa loja de presentes. Senhor, eu lhe peço... Sabedoria para entender meu homem, Alegria para animá-lo, Amor para perdoá-lo e Paciência para aceitar seus atos. Porque, Senhor, se eu lhe pedir forças e receber, Eu bato nele até matá-lo.  Amém.

É um porre

O líquido levemente amarronzado preenchia o pequeno cálice devagar. Sua consistência era menos densa do que eu imaginava. Finalmente, após anos de curiosidade, eu poderia provar a bebida enigmática, que provocava a minha imaginação. -Êpa, você está amamentando. Não pode beber! - Qual é? Só uma bicadinha para satisfazer a curiosidade. Tomei o cálice e senti pela primeira vez o aroma do licor. Eu imaginava algo parecido com chocolate, mas o perfume gostoso não me desapontou. Virei lentamente o líquido para que tocasse apenas a ponta da língua. E, a princípio, veio a decepção. Como toda bebida alcoólica, o amargor seguido da queimação. Mas, segundos depois, o sabor ficou bom, adocicado, bem diferente do que eu concebia. - Ah, Amarula é isso, então! Pronto, agora minha curiosidade foi morta! Quando eu ia a algum restaurante, a garrafa da tal Amarula me chamava atenção. O rótulo com o elefantão invocado e as frutinhas amarelas parecia com a capa de um livro infantil. O vidro marrom escuro ...

Promessas de ano novo

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Segundo a minha saudosa vó Miúda, o tempo está passando cada vez mais rápido porque o fim do mundo está próximo. Se Le grand finale é iminente ou não, sei lá. Mas que meu tempo está se esvaindo mais rápido, ah está, sim! Ainda mais tomando conta de uma menininha de oito meses, que praticamente é a minha dona. E como é bom ser dela! O meu dia começa com um choro e uma mamada. Aí vêm as fraldas, as manhas, a papinha, as brincadeiras. Pronto, foram-se 24 horas. E eu me pergunto: Qual era a ideia que eu tinha para aquele texto? O tempo engoliu com voracidade! Eu gostaria que a primeira postagem de 2011 trouxesse um mini balanço de 2010 e algumas metas para este novo ano. Minha vida sofreu tantas transformações que eu não poderia deixar de comentar algumas. Meu estado de espírito chegou às alturas do Monte Everest e também sucumbiu às abissais Fossas Marianas. Sofri com as mudanças, com a saudade, com decepções, com a solidão. Contudo, meu coração quase explodiu de júbilo com o nascimen...