Um rolé pelo cemitério
Passear no cemitério nunca esteve entre as minhas opções de lazer favoritas. Quando pequena, já tive medo de algum defunto enterrado pertencer ao balé do clipe Thriller e resolver puxar meu pé. Também tinha medo de pegar piolhos de defunto e ter que raspar a cabeça. Hoje, tenho medo dos maloqueiros que utilizam o local como esconderijo. Durante o último dia de finados, andei refletindo sobre o hábito de visitar a última morada dos falecidos. A reverência aos mortos, muitas vezes, é maior que aos viventes. O povo leva flores, paga para limpar e caiar os mausoléus, faz orações pela alma do defunto, choram, conversam... Em minha opinião, se investissem o tempo e dinheiro por quem ainda está por aqui, sofrendo as dores do mundo, talvez a recompensa fosse maior. Não quero discutir os costumes e nem julgar quem está certo ou errado. É que nunca vi muito sentido em cuidar de algo que não precisa de cuidados. Aprendi que, quando morremos, o nosso corpo volta a ser pó e, se andarmos direitinho ...