Postagens

Mostrando postagens de maio 29, 2016

Precisamos conversar ainda mais

Imagem
Eu tenho uma filha de seis anos que é do espectro autista. E, diariamente, tento ensiná-la a não abordar pessoas tocando nelas porque é um modo de invasão de privacidade. Cada um tem o direito sobre seu corpo e ninguém pode ser tocado quando não permite. Ensino que ela só deve ter contato físico com quem ela já conhece, ou seja, o toque e a brincadeira só devem acontecer com quem já se tem intimidade.  Quando escrevi o texto sobre a necessidade de conversarmos com nossos meninos sobre cultura de gênero, assédio e estupro, tomei como exemplo para ilustrar a delicadeza e urgência da abordagem das questões um fato que tinha acontecido comigo há poucas horas. A intenção do meu artigo não foi atacar o rapaz em si ou sua família, mas alertar todos sobre o que está sendo ensinado aos nossos meninos a respeito do tratamento com mulheres. A indignação que o meu texto gerou em muitas pessoas que o leram, e que conhecem o rapaz intimamente, pode ter sido gerada por ser inadmissíve...

Precisamos falar com nossos meninos

Imagem
Estava indo lanchar na Praça Castro Alves com duas amigas. No caminho, comentávamos nossos insucessos ao tentar explicar o que é a cultura do estupro a alguém cabeça-dura. Chegando ao local, pedimos um pastel e procuramos uma mesa para nos acomodar. Uma de minhas amigas se sentou e eu fiquei de pé aguardando a outra que esperava seu troco, quando fomos interrompidas por um rapaz que é presença habitual na pracinha desde quando ele ainda era um menino. - Boa noite! - Boa noite! – respondemos. Após o cumprimento, ele continuou ao nosso lado, como se tivesse algo a nos dizer. Aproximou-se da minha amiga que estava sentada e acariciou o rosto dela com as costas das mãos. - E aí, loura-onça, estava com saudade do meu carinho? – disse ele, enquanto minha amiga, sem graça, tentava afastar o rosto delicadamente. Foi então que tentei ser didática com o moço e falei, calmamente: - Você sabia que isso não é carinho, mas assédio? O rapaz desfez o semblante inocente...