Morte encomendada
Fui acordada com os seus gritos enquanto ela era arrastada pelo beco. Eram gritos histéricos, desesperados, de quem sabia que seu destino não seria nada agradável. Depois de ouvir as súplicas por piedade não consegui mais pregar os olhos. Revirei-me na cama pensando no que ela estaria sentindo naquele momento, com os pés amarrados, carregada de qualquer jeito pelos seus membros superiores, enquanto, assustada, observava o ambiente estranho ao seu redor sem entender direito o porquê de estar ali. Não consegui mais dormir, pensando na execução iminente da pobre vítima. Ouvi o ruído dos seus pés arranhando o balcão inox, mais alguns gritos e depois só o silêncio. “Ela morreu agora”, pensei. E a angústia cresceu ainda mais, pois eu sabia que teria que encarar o corpo sem vida. Ainda no meu quarto, não sabia o cenário que iria encontrar. Será que havia sangue espalhado? Será que ela sentiu a morte chegar aos poucos, enquanto a vida se esvaía pelo corte em seu pescoço? Foi terrível ima...