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Mostrando postagens de 2012

Uma dieta mais cultural

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Mais um ano vai chegando ao fim e a turma não perde tempo de fazer suas promessas para os próximos 12 meses. Uma clássica é regular o peso através de hábitos mais saudáveis. Uns querem emagrecer, outros ganhar massa muscular, alguns apenas gostariam de gozar de mais saúde para ter a possibilidade de viverem muitos outros anos e fazer mais promessas. Todo mundo sabe o que precisa fazer e o quanto sua saúde agradecerá, mas são poucos os que realmente se arriscam.  Geralmente, para regular o peso se começa pela reeducação alimentar. Fugir das delícias pouco nutritivas às quais estamos acostumados para encarar pratos que nem sempre são atraentes logo de cara é duro, torturante. Por mais que a circunferência das nossas cinturas peça clemência, são raros aqueles que facilmente trocam o velho e gordo bife com batatas fritas por um peixe grelhado com ervas finas e uma salada crua. É difícil e sofrível acostumar com o cardápio mais leve e sadio.  E, assim como acontece com a...

Papai Noel de verdade

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Na manhã do dia 25 de dezembro, pulei da cama logo cedo. A ansiedade era tanta que segurei o xixi mais um pouquinho e corri para a janela. Lá, estava o meu sapato favorito. Sapato, não. Minha conga favorita, a mais colorida de todas, berrando toda a extravagância do início dos anos 1990. Afinal, ela seria o local onde Papai Noel colocaria o meu presente.  De longe, vi que o calçado estava vazio. Dentro tinha um papel dobrado, diferente da cartinha que eu havia deixado na noite anterior. O texto era mais ou menos assim: “Karol, infelizmente, por causa das enchentes que aconteceram no Rio de Janeiro, não pude trazer o seu presentinho para atender outras crianças. Continue se comportando. Esse será o nosso segredo. Papai Noel”. A caligrafia era idêntica à do meu pai. Só a assinatura se diferenciava, mais cursiva. Apesar da decepção, guardei a cartinha dentro do meu estojo do Menino Maluquinho, que seria o meu companheiro da terceira série.  - Por que Papai Noel tem a m...
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Hoje é dia de finados. Como celebrar essa data? Já sei! Quero parabenizar todos os cadáveres e futuros defuntos de todo nosso planeta. Felicitações àqueles que tiveram ou terão a utilidade de adubar o solo com seus restos mortais, voltando ao pó da terra, dando de comer aos famélicos vermes, bactérias e demais seres cujo papel fundamental é livrar o universo de nossas carcaças pútridas.  Há quatro anos, escrevi o seguinte texto: Um rolé pelo cemitério

We love Brazil

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O café da manhã dos filmes norte-americanos me deixava intrigada. Qual seria o gosto da panqueca? Redonda, fofinha, dourada, coberta com xarope de bordo... Parecia deliciosa! Há cerca de um ano, tentei reproduzia a receita em casa. O resultado? Um disco disforme, murcho, borrachudo, queimado e coberto com um enjoativo xarope de milho.  Segui a receita tim-tim por tim-tim novamente e consegui algo menos ruim. O gosto lembrava muito o crepe francês. Pedi ajuda ao oráculo do Google e descobri que a coincidência de sabores não era por acaso. A diferença entre os pratos é que a panqueca norte-americana é mais alta, com cerca de meio centímetro. Um dos meus grandes símbolos do american way of life tinha sotaque francês!  A partir deste intercâmbio culinário, embarquei na viagem sobre o que poderíamos chamar de cultura pura, verdadeira, genuína? Afinal, cultura é tudo o que é produzido pelos seres humanos. E, como gente é um bicho inquieto, em permanente aprendizado, seus ...

Dia do nordestino

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Hoje é dia do nordestino, na cidade de São Paulo. A data foi criada em homenagem ao centenário do poeta cearense Patativa do Assaré, em 2009. Aí, no Facebook, vejo diversas pessoas homenageando a data, compartilhando em seus perfis imagens relativas ao nordeste. O nordeste é uma região muito grande, cheia de contrastes, e acho simplista reduzir sua representação a cangaceiros, vaqueiros, caatinga e repentistas. Penso que isso só reforça a visão estereotipada do nordestino, ignorando a riqueza cultural da nossa região. Só no estado da Bahia, podemos observar uma diversidade cultural gigantesca. O baiano do recôncavo é totalmente diferente do da região sul, que não tem nada a ver com o do extremo-sul, que também não lembra nada o do oeste e, por aí vai... É bonito ter orgulho da própria terra, porém, é complicado tentar traduzir tamanha pluralidade numa única imagem. Vale o velho provérbio: traduzir é trair!

Amizades de merda

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Está na merda? Karol é uma boa companhia. Como me disse Felipe, quando falei da ideia para este texto: Lá vem uma distribuição de carapuças! E, se doer em alguém, paciência. Afinal, já sinto dor o suficiente dentro de mim ao constatar a minha serventia para certas pessoas. Sou uma boa amiga na merda. Não uma amiga DE merda, mas NA merda.  Quando chego a esta infeliz conclusão, não estou me diminuindo. Já ouvi que tenho mania de me depreciar, que minha autoestima não é muito mais alta que uma gilete. Mas, é que tenho tanta consciência de quem eu sou, que não tenho medo de brincar com o que não sou. Só que, repassando meu histórico de amizades, percebi que sirvo muito bem para aqueles em situação de merda.  Se estivermos sem dinheiro, não tem problema. Faço questão de juntarmos nossas nicas e compramos um lanche baratinho na rua ou até mesmo compartilhamos um PF. Se estivermos sem emprego, vamos rir muito, imaginando em que ponto da cidade rodaremos nossas bolsinhas...

Assembleia dos Ratos

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Fábulas são modos divertidos de ensinar regras de convivência. Sempre me diverti com as historinhas despretensiosas tentando ilustrar a melhor maneira de nos comportarmos para tornar a vida mais suportável.  Ultimamente, tenho me deparado com imagens de uma fábula moderna nas redes sociais. A cara que o He-Man fazia explicando a lição de moral passada ao final dos episódios. O pior é que os argumentos até faziam sentido, apesar de não passarem de falácias. Ah, anos 1980, quando o politicamente correto era coisa de hippie! Brinquedos com rebarbas cortantes e pintados com tintas à base de chumbo, cigarrinhos de chocolate e um desenho animado cheio de monstros e musculosos em modelitos homoeróticos, com um tentando matar o outro, ostentando a pretensão de ter alguma autoridade para promover a moral e os bons costumes.  Apesar de não concordar com a fórmula usada por He-Man, eu acho a tentativa válida. Em uma época em que as famílias estão cada vez mais desmanteladas, s...

Conversando no Facebook

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Quem avisa, amigo é.

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Aí hoje uma colega veio me mostrar a foto do cara que ela tinha ficado. Ele estava usando uma sunga estampadinha e eu disse: - Esse cara é gay. Ela teimou que não era e me mostrou outra foto dele, de bunda para cima, na beira de uma piscina. E eu falei de novo: - Esse cara é gay. Mas ela ainda teimou que ele havia demonstrado com sobra sua masculinidade e me mostrou outra foto dele, na piscina, sendo abraçado por um outro cara, que ela disse ser o "melhor amigo dele". E, mais uma vez atestei: - Esse cara é gay. Ela se irritou comigo e mostrou mais uma foto. Era um close do cara todo embecado. Quando passou o álbum adiante, tinha a mesma foto, só que em preto e branco. E, derradeiramente, eu disse: - Esse cara é gay. Depois tem gente que fica chorando, se lamentando de falta de aviso...

Eu odeio minhas fotos, mas...

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Sim, eu detesto as minhas fotos. Saio com cara de doida, olhos vesgos, nariz de bruxa... Autoestima baixa? Que nada! É que tenho tanta consciência da minha beleza interior que a exterior sempre fica devendo!  E, se um dia eu fizer um álbum narcisista, cheio de auto-retratos na frente do espelho, com os dedinhos em "v" de lado, fazendo bico, olhar de mormaço ou bancando a "miseravona", tenham certeza de que estarei sob efeito de drogas psicotrópicas fortíssimas! Pois nem alcançando meu nível máximo de insanidade eu me prestaria a fazer algo do tipo a sério.  De brincadeira, talvez um dia para exercitar meu sarcasmo barato. Challenge accepted!

O que me faz mulher

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Espelho, espelho meu... Ah, esquece! Se eu fosse abduzida por uma nave extraterrestre como um exemplar do estereótipo feminino, os pobres dos ETs ficariam frustrados. Biologicamente, tudo bem. Posso não ser o exemplo de beleza feminina, mas o resto do corpo tem tudo o que uma mulher normal precisa ter para ser chamada de mulher, incluindo estrias e celulites.  Considero meu comportamento bem diferente do padrão feminino. Minhas vaidades e minhas frescuras são outras. Não uso maquiagem ou salto alto. Não vou ao salão de beleza e nem tenho medo de barata. Não perco horas na frente do guarda-roupa escolhendo o que usar e vestidos e saias são peças raríssimas. Aí penso: o que será que me faz mulher, então? Só o físico? Acho que não!  Já vivi alguns conflitos internos e externos por causa dos meus gostos diferentes. E, como os traumas clássicos, tudo começa com minha mãe. Quando fui me tornando uma mocinha, ela me enchia o saco para me emperiquitar. Comprava roupas ju...

Marcando o fim

Ultimamente, minha alma tem recebido grandes injeções de ânimo por ter voltado para o meio daqueles que amo. É incrível que, mesmo depois de tanto tempo, reencontrar certas pessoas parece tão natural como se estivéssemos juntas no dia anterior. A diferença é que a alegria é grande demais para ser classificada como normal. Mas o papo flui com tranqüilidade, sem silêncios constrangedores, e desfrutar da companhia é o motivo simples e maior para estar ao lado.  Confesso que temia não me encaixar de volta, de tudo ter mudado demais, inclusive eu. Acho que é por isso que tenho sentido a estranha sensação de liberdade extrema. É parecido com quando se retira o gesso de um braço ou perna. A impressão é que o mundo ficou maior. O meu mundo se expandiu, eu me senti pequenina e, com o apoio dos verdadeiros amigos, estou me readaptando, tomando posse do que sempre foi meu.  Reencontrar velhas amizades é bom demais. É relembrar o passado, rir ou se lamentar do presente e não ter ...

Lavando corpo e alma

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Os ambientalistas que me desculpem, mas um banho quente e demorado é bom demais. Além da função básica de higienizar o corpo, é uma terapia. Na falta de grana para pagar um psicanalista, banho quente! Ajuda a relaxar, mandar as tensões embora, pensar na vida, mandar os problemas às favas...  Eu amo tomar banho quente, mesmo no verão. Não com a água pelando, mas morna o suficiente para diminuir a tensão muscular. Banho frio é para despertar e espantar a preguiça. É para assustar o corpo e prepará-lo para a dureza da vida.  Nos últimos dias, penei com a crueldade gélida do desamparo de chuveiro elétrico. Tomar banho antes de dormir? Que nada, só lavava o essencial e fugia das agulhas em formas de gotas d’água. Minha redenção foi quando fui dormir num hotel. Ah, como é bom tomar banho quente sem pensar na conta de luz ou água...  Agora, o que me deixa constrangida é quando me hospedo na casa de alguém que tem um belo chuveiro com água quente. Fico tentada a pass...

O horror!

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Há muitos anos parei de forçar minha natureza e tentar me adaptar aos gostos de amigos e familiares sobre o carnaval. Já saí em bloco, já tentei ir atrás do trio, porém nunca me senti à vontade no ambiente momesco. Mas depois que passei a respeitar meu gosto, sempre aproveitei o feriadão para passear durante o dia e, à noite, me refugiar em casa.  Carnaval virou algo ligado apenas à minha vida profissional. Quando fui trabalhar na assessoria de comunicação da Prefeitura de Ilhéus, em 2005, só ia à Avenida para fazer matérias. Gostava de pegar as pautas de serviços oferecidos durante a festa, pois terminava tudo cedo. Eu morava próximo ao circuito e antes das 22 horas estava no conforto do meu lar.  Em 2009, fui trabalhar na Prefeitura de Itacaré. Lá, eu não tinha a “blindagem” do camarote da imprensa, a qual estava acostumada na Prefeitura de Ilhéus. Também não iria dormir a menos de 200 metros do circuito da festa. A cidade ficava a mais de 70 quilômetros da minha aconchega...

Qual a resposta?

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Há dois dias, uma dupla de meninas tocou a campainha já no final da tarde. A mais velha aparentava ter uns 10 anos e, a mais nova, uns 8. Eram morenas, cabelos viúvos de pente, escuros e escorridos. Estavam descalças, sujas, mas não maltrapilhas. Quando abri a porta, já avançaram com o corpo para espiar o interior da casa. Coloquei o corpo na frente e, antes que eu perguntasse o que queriam, a maior foi imperativa:  - Ei, me dê uma boneca!  - Ei, me dê um brinquedo! – completou a segunda.  Eu, que já tinha sofrido com dor na consciência por negar pedidos antes de pensar nas possibilidades de poder ou não ceder, pedi um tempo às meninas para procurar algo. Como minha filha ainda é um bebê, não tinha qualquer brinquedo que eu julgasse servir para as meninas. Lembrei que havia um pequeno jogo de jantar de plástico, ainda novo, guardado na estante. Ele tinha peças pequenas e eu não deixava minha filhota brincar com medo de que engolisse algo.  Voltei à frente da casa...

Isso é um trabalho para...

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Essa eu vi no blog Gospel e Nerd .