Se entrou tem que sair


Dona Barriga e eu dias antes de Amélie nascer
Os três quilos perdidos além dos 16 que adquiri ao longo da gravidez me deixaram confiante para iniciar meu projeto “mamãe gostosa”. Está sendo ótimo vestir minhas calças jeans e conseguir fechá-las. As camisetas ainda estão apertadas por causa da “turbinada” da amamentação. Mas não faz mal. Para quem beirou os 80 quilos, voltar à casa dos 50 é bom demais!

O meu emagrecimento está sendo super rápido. Em apenas três meses, apaguei os vestígios mais evidentes da minha condição interessante e do barrigão imponente. A amamentação está sendo minha amiga e a dieta para evitar cólicas em minha buguela também colabora. Nada de refrigerante, pouquíssimo chocolate e gordura, farinha só em ocasiões especiais. Outra grande colaboradora é a solidão. Ficar longe da minha terra e do meu povo está funcionando como regulador de apetite.

Desde o boom dos 10 quilos em quatro meses, quando me casei e fui morar em Curitiba, não consegui voltar mais ao manequim 36. Sabe como é... Amor engorda, paixão emagrece, o frio glacial da capital paranaense, uma pizzaria na porta de casa com pizzas excelentes e baratas, quindins, cucatones... Fechando o pacote, um marido guloso.

O processo de engorda é silencioso. Um dia, aquela roupa serve, no outro, não entra nem em sonho. Certa feita, com o corpo rechonchudo e a cabeça de magra, resolvi renovar meu guarda-roupa. Entrei na loja tentando avistar algum modelo que me agradasse. A vendedora me abordou e perguntou qual era meu tamanho. Eu, iludida, disse que era 40. A moça desceu a pilha de roupas e eu iniciei o meu garimpo.

Uma blusa me chamou atenção. Ela era justa, acinturada, disfarçava as imperfeições e tinha um decote que valorizava meu corpo sem gritar piranha. Peguei a peça e entrei no provador. Tirei minha roupa, fiz uma careta para a “banhuda” do espelho e comecei a vestir o meu então sonho de consumo. A cabeça passou, um braço, outro braço. Tentei descer a blusa. Quem disse que consegui?

Após o desapontamento, o processo natural seria tentar tirar a peça. Puxei-a para cima e ela não passou do busto. Ergui os dois braços mais uma vez e nada. Abaixei a blusa e dei um suspiro. Enquanto isso, a vendedora bate na porta e pergunta se ficou boa. Só consegui responder:

- Peraê! Ficou meio apertada.

Meio apertada era piada. A blusa poderia servir para metade de mim ou então para a minha mente esbelta. Eu precisava tirar aquele troço do meu corpo. Suspendi um lado da peça e consegui passar pelo meu cotovelo. Encaixar o outro braço seria o próximo desafio. Só ouvi a costura arrebentando devagarzinho. Parei na hora e resolvi mudar a estratégia. Mas qual?

Mais uma vez a vendedora bate.

- Olha, tem outro modelo aqui que você vai gostar!

E eu lá estava pensando em comprar mais nada. Queria mesmo era me desentalar da blusa maldita que gritava no meu ouvido: “Gorda, balofa!” Com jeitinho, consegui passar os dois cotovelos, mas a droga parou na cabeça. Já ofegante, sem enxergar nada e os dois braços erguidos, comecei a me sacudir dentro do provador. Senti-me Houdini em seu número de se livrar da camisa de força.

Com habilidade surgida do desespero, finalmente desvencilhei-me da blusa desgraçada. Abri a porta do provador irritada e sem autoestima.

Comentários

Bel disse…
Ah, esse texto merecia um final diferente. Ou pelo menos invertido, terminando com "perdi 19 dos 16 Kg que engordei na gravidez"!

Vc é uma heroína em atravessar esse período de recém-parida longe dos seus e de sua terra. Eu quase pirei qdo tive Line, e olha que tava "no meu lugar". Mas vc está resistindo bravamente, e já-já vai sentir saudade dessa fase! (será?)

Beijo! Sábado tamos aí!!! Uhuuuu!!!

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