Solucionando o soluço
Colocar uma linha vermelha na testa, prender a respiração, beber água com uma faca dentro do copo, levar um susto, comer açúcar, vestir um agasalho... Ih, já tentei tudo o que conheço para solucionar minhas crises de soluço. Graças a Deus, estão cada vez mais raras, mas quando resolvem aparecer, deixam-me revoltada, impaciente. É chato demais!
Sendo meio “freudiana”, acho que a minha ojeriza aos soluços é culpa dos meus pais. Desde pequena, quando começava o meu “hic-hic”, os dois faziam um drama, parecendo que eu iria morrer. Iniciavam as sessões de simpatias, mandingas, dicas, macetes e demais testes comigo.
De acordo com meu pai, a melhor solução para os soluços é respirar dentro de um copo de boca larga, vedando as laterais com as mãos. Ele defende essa teoria até hoje. Meu nariz ficava marcado, a minha respiração condensava dentro do copo e, nada. Depois de meia hora soluçando e sofrendo, a calmaria reinava. O pior era ter que ouvir o “eu disse que dava certo” do meu velho.
O pior é que as minhas soluçadas são genéticas. Segundo minha mãe, eu já soluçava dentro da barriga. Eu achava que isso não existia até sentir umas tremidas estranhas dentro do meu bucho quando estava grávida. Pois não é que os bebês solução ainda no ventre materno?
Meu pai, quando ficava nervoso, também dava crises de soluço. Era muito engraçado! Quando eu tinha três anos, tive uma diarréia persistente. Ele ficou tão agoniado que desatou a soluçar. Entre um “hic” e outro, ligou para meu pediatra, disse que eu estava desidratando e precisava ser internada. E eu lembro claramente da cena. Estava sentada no meu peniquinho, olhando meu papai desesperado, brigando com minha mãe, querendo salvar minha vida. Afinal, eu estava praticamente virando água.
Dizem os médicos que desconhecem os mecanismos que desencadeiam o início de um episódio. Cada um observa o que ajuda a provocar uma crise. É muito comum eu começar a soluçar ao comer rápido ou beber algo quente. Mas tem gente que inicia uma crise ao tomar refrigerantes, rir demais ou sentir frio.
Eu já expliquei a meus pais que soluço não é algo fatal. É desconfortável, mas não mata. Li que um americano, chamado Charles Osbome, passou 68 anos soluçando sem parar. Entrou até no Guiness Book. Se ele conhecesse meu pai, bastava respirar dentro de um copo de vidro que seria infalível!
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