Os cães ladram e...

Aqui em casa tem três cachorros que não valem por um. Dois são meus, Lola e Garu, que juntos não pesam nem quatro quilos. Ainda tem Nina, que pertence à minha mãe e é um trisco de nada que mal chega a um quilo. Todos adultos da raça pinscher e parentes. Lola é mãe de Garu e Nina é sobrinha de Lola. A família incluía ainda Lindinha e Zuca. A primeira morreu no ano passado e a segunda está fazendo companhia para uma antiga vizinha. Praticamente uma dinastia de pinschers! 

Apesar do tamanho diminuto, os três são excelentes cães de guarda. Latem para tudo e todos como se pudessem destruir qualquer coisa com o barulho estridente que produzem. Porém, isso acontece apenas quando não está fazendo um friozinho e elegem como prioridade ficar aninhados entre seus paninhos quentes. Mas, no geral, latem para qualquer coisa que considerem um invasor: pássaros, calangos, o rapaz da água mineral, fogos de artifício e gatos. Os últimos são os mais irritantes, pois pirraçam legal. Ficam miando no muro, passeiam pelo telhado e olham cinicamente para os caninos imbecis que não param de ladrar. Petulantes! 

Há umas duas madrugadas, houve a maior confusão aqui em casa. Um exemplar felino resolveu desafiar a ira dos meus pinschers passeando pelo chão do quintal. Não sei se ele caiu do muro ou era tão insolente que subestimou a ferocidade dos meus guardiões. Às três da manhã começou o deus-nos-acuda. Fomos despertados pelos latidos neuróticos e agudos dos cãezinhos, acompanhados do baque do portão lateral. Ouvimos o bufar do gato seguido pelo choro de Garu. 

Meu bravo marido levantou da cama e foi conferir o nível da balbúrdia. Minha filhinha também foi despertada e eu tinha que correr contra o tempo e niná-la antes que despertasse de vez e começasse a brincar e bater palminhas. Felipe chegou ao quintal e viu que o auê estava na varanda. Correu para a frente e deu de cara com o gatão preto se estabacando do muro enquanto os cachorros saíam em disparada em seu encalço. 

- Era um gato enorme! Correu lá pro quintal. Agora eles que se resolvam – relatou meu marido ao voltar para o quarto. 

Todavia, a confusão não terminou. O gato desastrado não conseguiu fugir e subiu na mangueira. Os cachorros continuavam latindo, acho que com medo dele descer novamente. Nisso, minha mãe, que havia elegido como prioridade ficar no aconchego de sua cama, resolveu aparecer para dar fim à confusão. Quando ela abriu a porta, viu apenas o vulto preto descendo em desabalada carreira da árvore em direção ao fundo. Como ela não tinha visto que era um gato, ficou com medo de ser um bicho estranho. Um diabo da Tasmânia ou um chupa-cabras quem sabe! 

Apesar do temor do animal desconhecido, minha mãe tomou coragem e tentou resgatar nossos cãezinhos. Para espantar a besta ela resolveu se impor. 

-Au-au-au! - ouvimos uma pequena série de latidos em tom mais grave. 

Sim, minha mãe resolveu LATIR para o gato. Eu não consegui conter o riso, mesmo tentando não fazer barulho para minha filha voltar a dormir. Sussurrando e segurando a gargalhada, comentei com Felipe: 

- Pô, três cachorros não resolvem e minha mãe também tem que latir! 

Pois é... Contrariando o ditado popular, os cães ladram e minha mãe também!

Comentários

Bel disse…
Eu ri, e ri muito, e muito alto, imaginando Gau latindo de madrugada... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Unknown disse…
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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