Lavando corpo e alma

Os ambientalistas que me desculpem, mas um banho quente e demorado é bom demais. Além da função básica de higienizar o corpo, é uma terapia. Na falta de grana para pagar um psicanalista, banho quente! Ajuda a relaxar, mandar as tensões embora, pensar na vida, mandar os problemas às favas... 

Eu amo tomar banho quente, mesmo no verão. Não com a água pelando, mas morna o suficiente para diminuir a tensão muscular. Banho frio é para despertar e espantar a preguiça. É para assustar o corpo e prepará-lo para a dureza da vida. 

Nos últimos dias, penei com a crueldade gélida do desamparo de chuveiro elétrico. Tomar banho antes de dormir? Que nada, só lavava o essencial e fugia das agulhas em formas de gotas d’água. Minha redenção foi quando fui dormir num hotel. Ah, como é bom tomar banho quente sem pensar na conta de luz ou água... 

Agora, o que me deixa constrangida é quando me hospedo na casa de alguém que tem um belo chuveiro com água quente. Fico tentada a passar mais de 10 minutos deixando a água massagear meu corpo, contudo, além de não abusar da boa vontade alheia e onerar as contas da amizade, a queda de tensão da energia elétrica entrega quanto tempo a ducha fica ligada. 

Mas, melhor que banho quente de chuveiro elétrico é de banheira de hidromassagem. Só tomei uma vez, quando casei, na minha noite de núpcias. Meu sogro nos deu uma diária na suíte de Lua de Mel do Hotel Jardim Atlântico. Chegando ao quarto, ficamos apreensivos sem saber qual decoração iríamos encontrar ao ver, na parede de entrada, um azulejo com uma figura do Kama Sutra. Mas era tudo simples, sem excentricidades. 

Na época, o hotel estava em decadência e não fazia jus às estrelas que ostentava. Porém tudo estava arrumado, apesar do ambiente ultrapassado. Ao avistarmos a banheira de hidromassagem, meu marido e eu nos empolgamos, nunca havíamos usado uma. O primeiro desafio foi saber onde ligar o troço. Procuramos chave, botão, manivela e nada. Aí, Felipe teve a humildade de ligar para a recepção, que deu a orientação para salvar nossa noite. 

Banheira funcionando, mas faltava algo: espuma! Tinha um frasquinho com uns três dedos de sabão líquido. “Que canguinhagem”, pensamos. Não sentimos pena ao despejar praticamente todo o conteúdo da embalagem. Enquanto as primeiras bolhas surgiam, entramos na hidromassagem para aproveitarmos os relaxantes jatos de água. E não é que a espuma começou a surgir? Foi aumentando, aumentando, não parava de crescer. O que a princípio era brinquedo em nossas mãos, para modelagem de chapéus e barbas, estava nos engolindo aos poucos. 

E para acharmos o botão de desligar, que ficava estrategicamente escondido embaixo da borda da banheira? Deu um belo trabalho. A espuma passou a crescer em velocidade galopante. Procura de lá e de cá. Caímos na gargalhada, com a situação. Quanto mais nós ríamos, mais perdíamos nossas forças. No momento em que a espuma já estava nos encobrindo quase por completo, Felipe conseguiu fazer a banheira parar de funcionar. 

Então, como tudo relacionado a nós dois, a noite romântica e sensual virou comédia.

Comentários

Anônimo disse…
Ainda bem que a lua de mel virou uma comédia e não um drama,kkkk Sera sempre algo de bom a relembrar.
Unknown disse…
Menina, as estórias de vocês são hilárias!!!!

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