Apenas respeito
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| Isso é o cenário de uma festa? Fábrica onde 130 operárias foram incendiadas em 8 de março de 1857. |
Hoje é o dia da homenagem melada, que chega enjoar. Mulher
símbolo do amor, da ternura, da garra, da determinação... Já deu faz tempo! As
milhões de mulheres que deram e dão a cara para bater pela luta de direitos
iriam mandar enfiar flores e bombons em um lugar não muito usual.
O comércio pega a data e aproveita para vender roupa,
perfume, cosmético, sapato, tudo para a mulher continuar linda, no seu lugar de
bibelô, divando na cara "dazinimiga", fazendo biquinho e ficando bem
quietinha, deixando os machos de verdade saírem nas batalhas do dia a dia,
trazendo dinheiro para dentro de casa. E ela, o biscuit delicado e comportado,
que receba o seu mantenedor maquiada, arrumada e cheirosa, com os chinelos na
mão e uma xícara de café quente, para depois entregar seu corpo como troféu ao
seu amo. Pois se não fizer isso, ele vai procurar na rua. É DE LASCAR!
O 8 de março deveria ser lembrado com muito mais reverência.
Pois não foi o dia que uma flor desabrochou, mas o dia em que 130 operárias de
Nova Iorque morreram carbonizadas. Isso mesmo, queimaram vivas até virar carvão
por, simplesmente, reivindicarem melhores condições de trabalho. Lindo, né?
Comemorar a morte de mulheres que se arrombavam em jornadas de mais de 16 horas
de trabalho sob condições desumanas? Hoje é dia de luto!
Porque, infelizmente, apesar de muitos avanços, a sociedade
ainda mata, tortura, humilha, "coisifica" a mulher. Ser mulher é ser
resiliente. É a capacidade de chegar ao seu extremo e, quando parece que não
tem mais para onde ir, conseguir se recompor. É estar com cólica, inchada,
enjoada, com enxaqueca e ter que deixar a casa arrumada, comida pronta, roupa lavada e passada antes de ir trabalhar.
Aí, é dar oito horas no trabalho, voltar para casa e, ao invés de descansar,
ter que arrumar a bagunça que deixaram de presente para ela e organizar tudo
para o dia seguinte. Porque hoje as
mulheres têm o direito de trabalhar fora, mas não perderam o DEVER das
obrigações domésticas.
Ganhando menos, sofrem preconceito, são menosprezadas, têm os
seus corpos vulneráveis aos “galanteios” e necessidades sexuais do homem. E, se
alguma resolve reclamar, é a histérica, a louca, a folgada, a mal amada, mal
consumida...
Hoje não é dia de celebrar porcaria alguma. É de
conscientizar homens e mulheres sobre a valorização e promoção do sexo
feminino. Sem flores, doces e presentes. Apenas respeito.

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