O preço da curiosidade
Os desejos de saber e investigar sempre foram meus companheiros. Desde criança, eu enchia todos de perguntas, de porquês e para quês. Além dos questionamentos, eu explorava o mundo sem medo para tentar saciar minha sede de informações, por mais inúteis que fossem. Desmontava brinquedos, enveredava-me pelo mato, subia em muros, entrava na ala de isolamento do Hospital Regional, quando minha mãe me levava para trabalhar... Se o local tivesse entrada proibida, aí é que eu ficava ainda mais instigada a desvendar os mistérios.Eu ainda sou o terror de shows de mágicos. Quando fui a Beto Carrero World com a excursão do terceiro ano, não continha minha boca ao identificar os truques. Além de rir bastante, eu dava uma de Mister M e explicava a ilusão para quem estivesse do lado, que não escolhia me ouvir ou não.
Antes do Google, chegava a perder horas tentando me lembrar de nomes de personagens de filmes e desenhos. Não deixo de espremer minha memória até me lembrar da informação. Certa vez, quase fico sem dormir tentando listar os nomes dos três porquinhos: Cícero, Prático e... Heitor!
Ser detetive já figurou entre meus sonhos. Tinha vontade de fazer o curso do Instituto Universal Brasileiro anunciado nas revistas em quadrinhos que comprava. Até hoje, amo séries de mistério. Atualmente, divirto-me muito com Monk. Fico orgulhosa quando consigo solucionar o problema antes do final.
Na adolescência, fiquei noites sem dormir após assistir o filme Exorcista. Sempre fui frouxa para cenas de horror, só que eu precisava ver as cenas após ler sobre os efeitos utilizados. Não adiantou saber que o vômito era sopa de ervilha, que a cama pulava por causa de um macaco hidráulico e que a fumaça que saía da boca dos personagens era porque estavam dentro de uma câmara frigorífica.
Minha curiosidade é tão grande que chego a ser desonesta ao fazer palavras cruzadas. Quando empaco em algum verbete, não me contenho e acabo olhando a solução no final. É praticamente um transtorno obsessivo compulsivo!
Estou certa de que essa minha característica foi decisiva para a escolha da minha profissão. Meu faro jornalístico aguçado colabora muito para enriquecer qualquer matéria.
Um dia desses, quase tenho um treco após assistir como é feita uma tatuagem dentro dos olhos. Foi uma das coisas mais angustiantes que já vi na minha vida. Aliás, só perdeu para o DVD do meu parto. O editor deveria ser mais curioso que eu e não se furtou ao colocar as imagens da minha barriga sendo aberta, fuçada por dentro, arregaçada e aspirada. O final foi feliz, com a minha filha saindo linda e saudável, dando um senhor berro. Mas, saber que era eu e não um pedaço de carne do sol sendo fatiado foi dureza.
O mal do curioso é subestimar seus limites.
Comentários
Cada dia escrevendo melhor, moça. Seu faro não é só pro jornalismo, não...
Beijo, saudade...