Ameaça de amor
Quando cursava o primário, tinha um garoto na minha sala que, atualmente, poderia ser chamado de hiperativo. A criatura não parava quieta, era uma matraca disparada, não ficava quieto por 10 minutos, nem conseguia focar em nada. Era repetente, andava todo molambento, sempre suado, despenteado e ainda por cima usava óculos fundo de garrafa. Tirava péssimas notas e sempre se metia em alguma encrenca. Vira e mexe estava visitando a sala da direção por quebrar alguma coisa, responder a professora ou brigar com um colega. Algumas meninas tinham nojo dele. Uma vez, juntaram pó de borracha, restos de lápis apontado e outras melecas para jogar na cabeça do maluquinho. Eu tinha pena, pois sabia que era órfão de mãe e ficava imaginando o quanto devia doer dentro dele. Na festa do Dia das Mães, quando ainda estávamos na pré-escola, ele levou uma tia como sua figura materna e um retrato dele dentro de um pires de louça (aquelas lembrancinhas cafonas que um monte de gente fez na infância), ...