Encontrando a outra

Assisti há alguns dias o vídeo da mulher traída de Sorocaba, que gravou e publicou no You Tube o momento em que jogou e deu na cara da suposta amiga que mantinha um caso com seu marido durante cinco anos. A traída usou a tecnologia em seu favor. Instalou um programa espião que gravava as conversas entre os amantes, imprimiu e-mails, tinha fotografias, vídeos, o diabo a quatro. Era um verdadeiro dossiê do chifre da era digital!


Atualmente, descobrir uma traição ficou muito mais fácil. Os amantes precisam pensar em muitos detalhes para se esconderem dos traídos. O antigo batom na cueca e o perfume na camisa ganharam roupagem hi-tech. É e-mail, MSN, Orkut, celular, histórico do navegador da internet. Tem que ser muito ninja para não acabar deixando um rastro. Isso sem contar com o sexto sentido feminino e os dedos-duros que metem a colher nas brigas de marido e mulher.


Levar um chifre não é algo simples de digerir. É como engolir um gato vivo, que desce arranhando a garganta. Além do desapontamento, vem a raiva, a vergonha e as perguntas clássicas: “Por que?” e “O que ela tem que eu não tenho?”. E cada um procura resolver a situação do seu jeito. As mulheres sempre buscam a vingança. Não precisa ser na mesma moeda, mas tem que dar prazer em ver o “feladaputa” sofrer.


Eu já levei vários pares de chifre ao longo da minha vida sentimental. Nunca cheguei a vinganças extremas, mas tive meus momentos sádicos. E, como praticamente tudo em minha vida, teve um caso particular que acabou em comédia. Pelo menos para mim.


A traição estava mais do que confirmada. Eu já tinha visto a foto da outra nas coisas dele, li algumas mensagens trocadas, engoli meu gato vivo e fiz as perguntas clássicas. O próximo passo era a vingança. Subi o caminho para o colégio espumando (se alguém disser igual a um touro bravo apanha!).

Enquanto atravessava a rua, vi uma silhueta ao longe. E algo me disse: “É ela”. Fiz meia volta e rumei em direção à pessoa. E, não é que era a outra? O engraçado é que só a vi pela foto, mas na hora o olho de Thundera se acendeu e minha espada justiceira entrou em ação. Parti para a abordagem:


- Oi! Tudo bem? Vamos conversar? – cumprimentei com um sorriso nos lábios.


- Oi! Conversar? – respondeu minha rival.


Ela estava boiando, pois também não me conhecia pessoalmente. A cabeça deveria estar tão cheia de vento quanto minha testa cheia de chifres. Resolvi facilitar e parti para a revelação:


- Você não sabe quem eu sou, né?


- Não!


- Sou a namorada de “fulano de tal”.


Quando eu disse quem eu era, a cara da menina derreteu igual cera. Eu mantive meu sorriso colgate e simpatia sabe lá tirada de onde e convenci a criatura de que não faria barraco se ela colaborasse. Bem, eu cresci acostumada a trocar socos com meus primos e o estrangulamento do judô era uma das minhas especialidades. Então, cair pro pau era o de menos.


O caminho até o colégio era longo. Como ela estava se comportando, usei minha civilidade e fomos conversando. Guardaria a cólera para o safado, afinal, quem tinha compromisso comigo era ele. Durante a conversa, fiz igual aos vilões do 007 no final do filme e contei como descobri a traição. Fui uma “corna” legal e ainda alertei sobre os perigos de se envolver com caras comprometidos.


- E se eu tivesse uma garrafa de álcool Tubarão e resolvesse te atear fogo? Você tem que ter amor a sua vida! – aconselhei.


Papo vai, papo vem e descobrimos outra coisa em comum. Éramos fãs da cantora/ atriz mexicana Thalia. Puxa, nunca tinha encontrado ninguém que gostasse da artista. Penei tanto com minhas amigas gozando com minha cara e a única criatura que conheci estava de caso com meu namorado. Mais um motivo para aumentar minha raiva do desgraçado!

Comentários

Manu Bisante disse…
o dito cujo começava com J??? e eu tb curtia a Thalia tá? assisti todas as Marias e queria ter o corpo igual ao dela até hoje...pior é ser traida aos 23 por uma de 15, bom, deixa pra là...

Postagens mais visitadas deste blog

Aniversários

Nadando