Mãe sim, e daí?


A descoberta da minha gravidez foi uma bênção surpresa. Depois de 9 anos juntos e 5 anos de casados, meu marido e eu já tínhamos plena consciência que um filho biológico seria complicado. Os problemas eram meus cistos nos ovários e as baixas contagem e motilidade constatadas no espermograma. Gerar uma criança era um sonho tão distante quanto ir à Lua. Mas Deus parece se divertir ao fazer com que experimentemos o improvável e o impossível. No dia 08 de outubro de 2009, o positivo em caixa alta escrito no exame Beta HCG iniciou a mudança de nossas vidas para uma realidade totalmente nova.


Saber que eu estava gerando uma vida, que havia um ser humano crescendo dentro de mim me deixava aérea. Eu estava carregando alguém que eu iria amar e traumatizar! Uma nova alma, uma nova consciência, um novo universo. Tanto estava confusa que demorei para digerir a informação.


- Karol, você sabe o que está acontecendo? – perguntou-me Felipe enquanto eu falava sem parar após abrir o exame.


- Eu não! – respondi de bate-pronto.


Realmente, naquele momento eu não sabia o quanto minha vida seria transformada: A preocupação com um sangramento besta, a ansiedade para ver o “feijãozinho” no ultrassom, os enjoos que pareciam que iriam me matar, os primeiros chutes, a descoberta que era uma menina, a barriga pesando, eu toda pesada... Até que eu pudesse ouvir o chorinho dela, parecendo um gatinho gargarejando. Depois, sentir ela geladinha nos braços da pediatra. Isso tudo com meu amor – o papai mais orgulhoso – controlando seus tiques nervosos, ao meu lado e me passando o boletim de notícias do acontecia com nossa filha. NOSSA FILHA, que coisa engraçada de dizer!


Mas dessa história toda, uma das coisas que mais me chateava era quando algumas pessoas me diziam que não me imaginavam mãe. Sempre procurei não levar a vida não tão a sério, fazendo graça das piores situações. Esse meu jeito de moleca certamente contribuiu para que a imagem de mãe nunca pudesse ser vinculada à minha pessoa. Confesso que em certos momentos eu duvidei da minha capacidade materna. Contudo, eu acreditava que os meus instintos e a misericórdia divina iriam garantir que eu desse conta do recado.


Acho que algumas pessoas tinham medo de eu colocar a menina para lavar na máquina, pôr feijoada na mamadeira, vestir a fralda pelo avesso, sei lá que absurdo! Minha “batatinha” completa hoje três meses. E está sobrevivendo muito bem à mãe dela! Gorducha, risonha, saudável... O troço mais lindo que Felipe e eu poderíamos fazer juntos! E não é que estou me virando muito bem enquanto mãe de primeira viagem? Está certo que conto com a assessoria constante de minha mãe e a ajuda do painho babão. Além de muito peito, troco fraldas, decifro os choros de manha ou real necessidade, canto, danço (e acabo com meu joelho podre) só para ver ela sorrir.


Está certo que demorei dois meses para dar o primeiro banho. Foi o medo de quebrar o meu maior tesouro. Fiquei apavorada com um olhinho remelento, perdi o sono com uma assadura milimétrica, endoidei com as brotoejas e quase chorei com ela quando precisou tomar as vacinas doloridas.


Hoje, acordo quantas vezes for preciso no meio da noite para acudir minha gatinha chorona. Esqueço de escovar os dentes, de ir ao banheiro, de tomar banho. Esqueço de mim só pensando nela. E, padecendo no paraíso, sigo feliz, com olheiras que me fazem parecer um urso panda, mas com um ânimo sobre-humano. Ânimo fruto do amor que excede qualquer explicação.

Comentários

Bel disse…
Uhuuu! Ela voltou a blogar!!!

Bom, agora que suas férias de blog acabaram, vou te contar um segredo: Mãe não tira férias, pelo menos por uns 16 anos!!! (Mas quem disse que a gente reclama? Ah, de verdade, a gente reclama, sim, mas no fundo a gente gostha e muitho!)

Beijo em você e na batatinha fofíssima e linda!

(Tira essa "palavra de verificação" dos comentários, please!)
Lu Cavalcanti disse…
OLA! NEU NOME É LUCIMARA ESTAVA NAVEGANDO EM IMAGES NO GOOGLE QUANDO ENCONTREI SEU BLOG, COM ALGO RELACIONADO A GRAVIDEZ E CISTO NO OVÁRIO, SOU CASADA A 4 ANOS,ESTOU COM MEU MARIDO A 7 ANOS E DESCOBRI QUE AINDA NÃO ENGRAVIDEI DEVIDO A UM CISTO NO OVÁRIO ESQUERDO,TAMBM SOU DE JESUS! JÁ CHOREI MUITO, JÁ ME DESESPEREI, MAS ACHO QUE DEUS ME FEZ ENCONTRAR A SUA ESTÓRIA PRA QUE EU PUDESSE ENTENDER QUE ELE ESTA NO CONTROLE DA MINHA VIDA!
OBRIGADO POR DIVIDIR SUA EXPERIÊNCIA!!!

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