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Tanto barulho pelo silêncio

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Desde 2004, ganho a minha vida escrevendo. Já fiz redação para rádio, jornal, internet. Em 2011, obtive 960 na redação do Enem. E, em 2012, marquei 100 pontos no concurso da Polícia Militar da Bahia. Portanto, posso não ser a melhor escritora do mundo, mas entendo alguma coisinha sobre como produzir um bom texto.  Neste ano, fui presenteada com a grata oportunidade de ganhar minha vida ajudando os outros a escrever. Quem me abriu essa possibilidade foi o professor Emenson Silva, após nos conhecermos quando fui contratada para escrever sobre o segredo do sucesso do Curso Gabaritando. E tem sido uma incrível experiência de partilha, pois sinto que estou aprendendo muito mais do que tenho mediado.  Ao longo das aulas de redação, trabalhei com os estudantes do Pré-Enem os temas apontados pelos grandes cursos do país como os mais prováveis a cair no certame deste ano. Mais do que entregar uma redação pronta, tentei mostrar maneiras de extrair ideias dos textos motivadore...

Gente de bem X Gente do bem

Gente de bem Faz o que quer Diz o que quer Pois tudo lhe é lícito E ouvir não lhe convém. Porque todo o resto é algo Nunca é alguém. Gente do bem Faz o que pode Diz o que deve Pois nem tudo o que é lícito Está do lado do bem. E sabe que todo mundo Merece ser alguém.

Nos detalhes

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Uma velha gorda caiu bem na minha frente. Vi que ela já vinha capengando antes, mas quando tentou desviar de uma loura burra falando, distraidamente no celular, pisou em falso no meio fio e se espatifou no chão. Ajudei a erguer a velha que era muito pesada. Se eu, jovem, não aguentava sustentar o peso dela, imagine aquela coroa baixinha tendo que se equilibrar naquelas perninhas curtas. Mas gordo é assim, não tem muito amor próprio, não se cuida e depois tem que depender dos outros saudáveis. Como minha mãe me deu educação, fui ajudar a idosa, que tinha ralado o joelho. Catei das coisas dela que tinham se espalhado na calçada e fui até a farmácia da esquina para comprar um antisséptico. Ela ficou sentada no banco do ponto de ônibus, sendo acalmada por um traveco que trabalha num salão de beleza logo em frente. Na farmácia, um crioulo me atendeu. Foi muito gentil, estava bem arrumado, parecendo até gente. Ele perguntou o que eu queria, respondi e ele me indicou um antisséptico mais...

Precisamos conversar ainda mais

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Eu tenho uma filha de seis anos que é do espectro autista. E, diariamente, tento ensiná-la a não abordar pessoas tocando nelas porque é um modo de invasão de privacidade. Cada um tem o direito sobre seu corpo e ninguém pode ser tocado quando não permite. Ensino que ela só deve ter contato físico com quem ela já conhece, ou seja, o toque e a brincadeira só devem acontecer com quem já se tem intimidade.  Quando escrevi o texto sobre a necessidade de conversarmos com nossos meninos sobre cultura de gênero, assédio e estupro, tomei como exemplo para ilustrar a delicadeza e urgência da abordagem das questões um fato que tinha acontecido comigo há poucas horas. A intenção do meu artigo não foi atacar o rapaz em si ou sua família, mas alertar todos sobre o que está sendo ensinado aos nossos meninos a respeito do tratamento com mulheres. A indignação que o meu texto gerou em muitas pessoas que o leram, e que conhecem o rapaz intimamente, pode ter sido gerada por ser inadmissíve...

Precisamos falar com nossos meninos

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Estava indo lanchar na Praça Castro Alves com duas amigas. No caminho, comentávamos nossos insucessos ao tentar explicar o que é a cultura do estupro a alguém cabeça-dura. Chegando ao local, pedimos um pastel e procuramos uma mesa para nos acomodar. Uma de minhas amigas se sentou e eu fiquei de pé aguardando a outra que esperava seu troco, quando fomos interrompidas por um rapaz que é presença habitual na pracinha desde quando ele ainda era um menino. - Boa noite! - Boa noite! – respondemos. Após o cumprimento, ele continuou ao nosso lado, como se tivesse algo a nos dizer. Aproximou-se da minha amiga que estava sentada e acariciou o rosto dela com as costas das mãos. - E aí, loura-onça, estava com saudade do meu carinho? – disse ele, enquanto minha amiga, sem graça, tentava afastar o rosto delicadamente. Foi então que tentei ser didática com o moço e falei, calmamente: - Você sabia que isso não é carinho, mas assédio? O rapaz desfez o semblante inocente...

Nosso fabuloso mundo azul

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Achei legal que vários programas da TV aberta investiram na abordagem do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, neste dia 02 de abril. Porém, uma coisa me incomoda muito quando falam sobre Transtornos do Espectro Autista (TEA), como são tecnicamente classificados os casos de autismo: o autista vive como se tivesse seu próprio mundo. É uma leitura tão superficial quanto as matérias miojo dos jornalísticos que, em três minutos, têm a missão de nos alimentar sobre um tema tão complexo.  A cor azul escolhida para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é porque a síndrome é quatro vezes mais comum entre meninos que meninas. Mas no meu caso, meu mundo foi colorido de azul por uma garotinha: minha filha. E, seguindo a inspiração para seu nome, Amélie tem mostrado quanto esse mundo é fabuloso!  Gente não nasce com manual de instruções. Mesmo assim, tentamos encontrar padrões no comportamento para pregar um rótulo na criatura. Fulano é inteligente, sicrano é pr...

Você é todo mundo

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“Check-check-check-check”, é o barulho que a minha vizinha faz com a vassoura, enquanto lava a calçada. “Como sou asseada, vou deixar meu passeio um brinco”, deve pensar minha vizinha. “Vai dar até para lamber o chão”, deve imaginar, orgulhosa de seu espírito asséptico. Essa tarefa diária é cumprida com devoção. É praticamente uma beata da lavagem de calçadas. Se fosse com vassoura e balde, menos mal. Mas ela usa a mangueira, que pode gerar um gasto de até 250 litros. A mulher executa sua tarefa admirando sem pressa as ondas formadas pela pressão do jato ao bater no chão; o arco-íris formado pela luz solar atravessando as gotículas do precioso líquido que brota da mangueira; o rastro de água e sabão que vai seguindo rua abaixo, como um delgado e perfumado rio. Depois de jogar água e sabão, capricha na fricção da vassoura, jogando ainda mais água para enxaguar e mandar toda sujeira embora, junto com sua consciência ambiental. Bem que eu poderia dar um toque a minha vizinha, f...