Postagens

Cinco Minutos

Quando amanhã chegar Daqui a cinco minutos Eu não vou chorar mais O pranto que derramei hoje  Os sapos já descem macios Os gatos são mais arredios Arranhando minha garganta  Com a força de sete vidas Em cinco minutos retomo meu fôlego Encho os pulmões e sigo minha trilha Guardarei somente um instante Para sentir o que restou da minha fé Só mais cinco minutos Para me perder na velha agonia Sentir o braseiro no meu peito Inferno que me consome dia a dia Cinco minutos, e chega! Cinco minutos para outro dia  Cinco minutos para daqui a pouco Cinco minutos para encontrar paz

Miudezas

Sabedoria de ditos e dizeres Aprendidos na escola da vida e no grande livro do mundo Repetidos em momentos oportunos Passando adiante seu legado de ironias Da sua janela tinha o mundo que queria As conversas no batente ou na sombra do beco à tarde  Queria tanto ter gravado suas histórias E os conselhos de conversas inesperadas Não me lembro da nossa última despedida Também não soube do dia de sua partida Saudades do seu sorriso incompleto Mas cheio do deboche e da língua afiada Embora nunca tenha dito que me ama Nem sequer me dado um beijo de boa noite Em suas miudezas deixava claro que se importava Em cada benção que me dava nas chegadas

Envelhecedores

Imagem
A ditadura da beleza diz que precisamos ser jovens para sermos dignos de admiração. São produtos e mais produtos prometendo pele mais jovem, articulações mais jovens, cabelos mais jovens, energia de jovem, tudo para frear a decadência do envelhecimento. Porém, há certos produtos que são envelhecedores. Usá-los torna qualquer pessoa idosa instantaneamente. Anúncio com as maravilhas da Minancora Vamos começar pela centenária Pomada Minancora. Ela cheira a “antigamente”. Traduz bem os tempos austeros dos nossos pais e avós, que nunca tinham dinheiro para nada e precisavam se virar com pouco. Então, a mesma pomada tinha que servir para passar na cara, no sovaco, na virilha e no pé. Visitando o site, arrumam nome bonito para a pomada: antisséptico, adstringente, cicatrizante. Traduzindo: é para tratar creca. Pronto! Outro clássico: Leite de Rosas. O site do produto já anuncia que ele tem muita história para contar: desde 1929. Minha lembrança era meu pai usando como desodorante. O barulho d...

Bolo com queijo

Sabe aquelas lembranças que deixam nosso coração quentinho, que faz a gente acreditar que a vida se resume àquele momento gostoso? Nada de preocupação, nada de raiva ou frustração. Só aquele momento que deixa tudo certo dentro da gente. O meu é comer bolo comum com uma fatia de queijo por cima. Quando corto o pedaço de bolo e coloco, delicadamente, a fatia de queijo por cima, viajo no tempo. Não há sabor de bolo específico. Pode ser de chocolate, mesclado, laranja. O importante é que seja tipo caseiro, exaltando o que há de mais simples. Com a marca da forma enfarinhada na borda. Talvez uma casquinha arrancada, por ter sido desenformado ainda quente. E o queijo? Pode ser qualquer um. Até velho, meio ressecado! Mas, para deixar perfeito mesmo, é a fatia cortada à mão da peça, com as ondinhas dos dentes da faca, as bordas assimétricas. São aquelas pequenas imperfeições que deixam tudo único. Comer bolo com uma fatia de queijo é um costume que trago da minha infância, da época que meus pa...

Deixei de existir

E u só pensava em morrer. Mas tinha medo de deixar de existir. O desejo de morrer era como uma fuga dos meus fracassos. Embora com tantos sucessos, tantos tesouros invejáveis, eu me sentia uma fraude, uma mentira mal contada. Apesar de ter uma vida excelente: saúde, família, proteção, eu só queria morrer. Mas tinha medo de ir parar numa espécie de limbo, na escuridão do desconhecido. Imaginava várias formas de arrancar de mim o último suspiro. Cortar os pulsos? Não teria frieza para dilacerar minha carne lentamente. Horror a sangue. Enforcamento? A sensação desesperadora de sufocamento me freava qualquer rompante de coragem. Ou se não conseguisse ter sucesso, faltasse oxigenação no cérebro e seria condenada a vegetar, carregando a vergonha da tentativa frustrada marcada pelas sequelas. Overdose de medicamentos? Se não fosse a dose certeira e fosse parar numa UTI, intubada? Não! Resolvi me matar aos poucos. Fui me afastando lentamente do que amava. Fui me trancando na minha dor de exist...

A palavra tem poder

"Cuidado, menina! A palavra tem poder"! Minha mãe sempre me falava isso, quando eu falava que algo poderia sair errado. Era o modo dela me alertar sobre o peso de tudo aquilo que se diz. Tudo bem que vinha carregado de uma aura meio mística, tipo um encantamento capaz de atrair a energia do que foi proferido. Falar "desgraça", então…  Pior do que soltar o mais cabeludo dos palavrões. "É o nome da pelada". Embora minha mãe nunca soubesse me explicar quem era a tal da pelada nem o que faria de tão desgraçado. Hoje em dia, minha compreensão do poder da palavra vai além de se evocar sobrenaturalmente algo negativo ou positivo. A função de ser benção ou maldição está atrelada ao sentido político daquilo que se diz. Nada de política partidária, mas política de posicionamento, de ideologia, de como enxergar a si e ao outro.  A turma defensora do mundo mais chato após o politicamente correto é um excelente exemplo de como a palavra revela posicionamentos. Dia dess...

A paz

Imagem
A paz em meio ao turbilhão do tempo Quando me apresentei para entrar em exercício na Prefeitura de Ilhéus, fui perguntada sobre em qual setor gostaria de ser lotada. Respondi com muita segurança: “eu quero trabalhar”. Foram dois anos de luta, audiências com o Ministério Público Estadual, Ministério Público do Trabalho e administração municipal buscando a garantia do direito dos aprovados no Concurso Público de 2016. Diante da falta de perspectivas, foi formada uma comissão e impetrada uma Ação Popular. Para isso, precisavam de nomes representando a coletividade. Eu dei o meu, assim como outros dois colegas.  A minha nomeação não aconteceu por força da Ação Popular que versava sobre a Violação dos Princípios Administrativos nem pelo Mandado de Segurança que eu havia dado entrada. Foi a última boa notícia que consegui dar a meu pai antes de ele falecer três dias depois da publicação no Diário Oficial do Município. O clima de luto não permitiu a comemoração, mas estava feliz ...

Também quero viajar neste balão

Imagem
Até o momento em que escrevo este texto, tenho sete tatuagens. Volta e meia alguém me pergunta qual o significado de alguma delas. A primeira, feita assim que me casei em 2004, é a junção de um F e um K, bem na base das costas. Ela é bastante simples, já está meio gasta e distorcida pelas novas formas que meu corpo assumiu, mas segue com sua missão de contar a minha história, como todas as outras.  Há cerca de dois anos, conheci o trabalho da competente Dyala Lisieux, uma jovem tatuadora que montou seu estúdio em Ilhéus, o IOS Ink. De lá para cá, já fiz uma âncora cujo anete – aquele anel de cima por onde passa a corda – é um coração; umas flores feitas em um dia de promoção; uma ampulheta com um trecho da música Nada Sei (Enquanto o tempo me deixar passar); um broto de samambaia estilizado da cultura maori; uma pena de escrita e, por último, um balão colorido, que enfeita minha panturrilha direita.  Cada desenho tem seu significado. Nem que seja “vi o desenho, gost...

Nadando

Imagem
Hoje, minha preguiça foi master Tarde mais cinza do que azul. Havia muito para fazer, mas preferi me entregar ao completo ócio. Eu poderia arrumar uma desculpa: a rinite, o braço dolorido da vacina, os meus dramas existenciais, mas não. Preferi me entregar à absoluta preguiça, indolência, moleza e todos os sinônimos possíveis para a total falta de produtividade. Não queria pensar, apenas me anestesiar durante alguns pares de horas, enrolada em minha coberta, com a cortina do quarto fechada para bloquear o pouco de claridade deste dia nublado. Estava sozinha em casa. Nem as gatas tinham disposição para aconchegos e curtiam, no sofá, a preguiça particular de sua natureza felina.  Notebook ligado à tomada, sinal do wi-fi cheio, site da Netflix carregando uma comédia romântica água com açúcar escolhida por ter visto no trailer o Tituss Burguess de Unbreakable Kimmy Schmidt e a última tirinha da barra de chocolate branco. Esse era o meu mundo, o meu universo improdutivo, meu ...

Tanto barulho pelo silêncio

Imagem
Desde 2004, ganho a minha vida escrevendo. Já fiz redação para rádio, jornal, internet. Em 2011, obtive 960 na redação do Enem. E, em 2012, marquei 100 pontos no concurso da Polícia Militar da Bahia. Portanto, posso não ser a melhor escritora do mundo, mas entendo alguma coisinha sobre como produzir um bom texto.  Neste ano, fui presenteada com a grata oportunidade de ganhar minha vida ajudando os outros a escrever. Quem me abriu essa possibilidade foi o professor Emenson Silva, após nos conhecermos quando fui contratada para escrever sobre o segredo do sucesso do Curso Gabaritando. E tem sido uma incrível experiência de partilha, pois sinto que estou aprendendo muito mais do que tenho mediado.  Ao longo das aulas de redação, trabalhei com os estudantes do Pré-Enem os temas apontados pelos grandes cursos do país como os mais prováveis a cair no certame deste ano. Mais do que entregar uma redação pronta, tentei mostrar maneiras de extrair ideias dos textos motivadore...

Gente de bem X Gente do bem

Gente de bem Faz o que quer Diz o que quer Pois tudo lhe é lícito E ouvir não lhe convém. Porque todo o resto é algo Nunca é alguém. Gente do bem Faz o que pode Diz o que deve Pois nem tudo o que é lícito Está do lado do bem. E sabe que todo mundo Merece ser alguém.

Nos detalhes

Imagem
Uma velha gorda caiu bem na minha frente. Vi que ela já vinha capengando antes, mas quando tentou desviar de uma loura burra falando, distraidamente no celular, pisou em falso no meio fio e se espatifou no chão. Ajudei a erguer a velha que era muito pesada. Se eu, jovem, não aguentava sustentar o peso dela, imagine aquela coroa baixinha tendo que se equilibrar naquelas perninhas curtas. Mas gordo é assim, não tem muito amor próprio, não se cuida e depois tem que depender dos outros saudáveis. Como minha mãe me deu educação, fui ajudar a idosa, que tinha ralado o joelho. Catei das coisas dela que tinham se espalhado na calçada e fui até a farmácia da esquina para comprar um antisséptico. Ela ficou sentada no banco do ponto de ônibus, sendo acalmada por um traveco que trabalha num salão de beleza logo em frente. Na farmácia, um crioulo me atendeu. Foi muito gentil, estava bem arrumado, parecendo até gente. Ele perguntou o que eu queria, respondi e ele me indicou um antisséptico mais...

Precisamos conversar ainda mais

Imagem
Eu tenho uma filha de seis anos que é do espectro autista. E, diariamente, tento ensiná-la a não abordar pessoas tocando nelas porque é um modo de invasão de privacidade. Cada um tem o direito sobre seu corpo e ninguém pode ser tocado quando não permite. Ensino que ela só deve ter contato físico com quem ela já conhece, ou seja, o toque e a brincadeira só devem acontecer com quem já se tem intimidade.  Quando escrevi o texto sobre a necessidade de conversarmos com nossos meninos sobre cultura de gênero, assédio e estupro, tomei como exemplo para ilustrar a delicadeza e urgência da abordagem das questões um fato que tinha acontecido comigo há poucas horas. A intenção do meu artigo não foi atacar o rapaz em si ou sua família, mas alertar todos sobre o que está sendo ensinado aos nossos meninos a respeito do tratamento com mulheres. A indignação que o meu texto gerou em muitas pessoas que o leram, e que conhecem o rapaz intimamente, pode ter sido gerada por ser inadmissíve...

Precisamos falar com nossos meninos

Imagem
Estava indo lanchar na Praça Castro Alves com duas amigas. No caminho, comentávamos nossos insucessos ao tentar explicar o que é a cultura do estupro a alguém cabeça-dura. Chegando ao local, pedimos um pastel e procuramos uma mesa para nos acomodar. Uma de minhas amigas se sentou e eu fiquei de pé aguardando a outra que esperava seu troco, quando fomos interrompidas por um rapaz que é presença habitual na pracinha desde quando ele ainda era um menino. - Boa noite! - Boa noite! – respondemos. Após o cumprimento, ele continuou ao nosso lado, como se tivesse algo a nos dizer. Aproximou-se da minha amiga que estava sentada e acariciou o rosto dela com as costas das mãos. - E aí, loura-onça, estava com saudade do meu carinho? – disse ele, enquanto minha amiga, sem graça, tentava afastar o rosto delicadamente. Foi então que tentei ser didática com o moço e falei, calmamente: - Você sabia que isso não é carinho, mas assédio? O rapaz desfez o semblante inocente...

Nosso fabuloso mundo azul

Imagem
Achei legal que vários programas da TV aberta investiram na abordagem do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, neste dia 02 de abril. Porém, uma coisa me incomoda muito quando falam sobre Transtornos do Espectro Autista (TEA), como são tecnicamente classificados os casos de autismo: o autista vive como se tivesse seu próprio mundo. É uma leitura tão superficial quanto as matérias miojo dos jornalísticos que, em três minutos, têm a missão de nos alimentar sobre um tema tão complexo.  A cor azul escolhida para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é porque a síndrome é quatro vezes mais comum entre meninos que meninas. Mas no meu caso, meu mundo foi colorido de azul por uma garotinha: minha filha. E, seguindo a inspiração para seu nome, Amélie tem mostrado quanto esse mundo é fabuloso!  Gente não nasce com manual de instruções. Mesmo assim, tentamos encontrar padrões no comportamento para pregar um rótulo na criatura. Fulano é inteligente, sicrano é pr...

Você é todo mundo

Imagem
“Check-check-check-check”, é o barulho que a minha vizinha faz com a vassoura, enquanto lava a calçada. “Como sou asseada, vou deixar meu passeio um brinco”, deve pensar minha vizinha. “Vai dar até para lamber o chão”, deve imaginar, orgulhosa de seu espírito asséptico. Essa tarefa diária é cumprida com devoção. É praticamente uma beata da lavagem de calçadas. Se fosse com vassoura e balde, menos mal. Mas ela usa a mangueira, que pode gerar um gasto de até 250 litros. A mulher executa sua tarefa admirando sem pressa as ondas formadas pela pressão do jato ao bater no chão; o arco-íris formado pela luz solar atravessando as gotículas do precioso líquido que brota da mangueira; o rastro de água e sabão que vai seguindo rua abaixo, como um delgado e perfumado rio. Depois de jogar água e sabão, capricha na fricção da vassoura, jogando ainda mais água para enxaguar e mandar toda sujeira embora, junto com sua consciência ambiental. Bem que eu poderia dar um toque a minha vizinha, f...

Apenas respeito

Imagem
Isso é o cenário de uma festa? Fábrica onde 130 operárias  foram incendiadas em 8 de março de 1857. Hoje é o dia da homenagem melada, que chega enjoar. Mulher símbolo do amor, da ternura, da garra, da determinação... Já deu faz tempo! As milhões de mulheres que deram e dão a cara para bater pela luta de direitos iriam mandar enfiar flores e bombons em um lugar não muito usual. O comércio pega a data e aproveita para vender roupa, perfume, cosmético, sapato, tudo para a mulher continuar linda, no seu lugar de bibelô, divando na cara "dazinimiga", fazendo biquinho e ficando bem quietinha, deixando os machos de verdade saírem nas batalhas do dia a dia, trazendo dinheiro para dentro de casa. E ela, o biscuit delicado e comportado, que receba o seu mantenedor maquiada, arrumada e cheirosa, com os chinelos na mão e uma xícara de café quente, para depois entregar seu corpo como troféu ao seu amo. Pois se não fizer isso, ele vai procurar na rua. É DE LASCAR! O 8 de março...

Silêncio permissivo

Imagem
Após a escola, entrei no ônibus, encostei a cabeça na janela e fiquei olhando a rua. Um ponto à frente, um homem já chegou perguntando onde estava a minha mãe e se sentou ao meu lado. Ele usava um broche de plano de saúde preso e, como minha mãe trabalhava em dois hospitais, deduzi que deveria ser algum conhecido dela. Como eu estava usando o uniforme da escola, ele começou a me fazer perguntas sobre qual série eu cursava, se estava indo bem nos estudos e pediu o número do meu telefone. Eu dei, afinal, como ele perguntou por minha mãe, deveria querer falar com ela. Depois, quis saber se eu estava namorando e se meus pais me deixavam namorar. Comecei a achar o rumo da conversa meio esquisito. Então ele disse que eu era muito bonita e poderia namorar escondido.  Os galanteios que ele me fazia não soavam como elogios. Ao invés de me enaltecer, eu ficava ainda mais constrangida. Então, foi a vez de eu perguntar ao estranho de onde ele conhecia minha mãe. Ele me perguntou o n...

Mulher-objeto

Imagem
Assim que o motorista deu partida no motor, formou-se o bolo de gente na porta do ônibus, com cotovelos nervosos, prontos para tirar quem quer que fosse do caminho. Com o coletivo entupido, a viagem começou com o bafafá: - Ei, eu estava aí! - Não, minha senhora, o que estava aqui era uma sacola plástica.  - Mas fui eu que botei! - Só que eu paguei a passagem. A sacola não! A partir da negativa em ceder o lugar, a mulher despejou uma tonelada de impropérios e predicados não muito honrosos à moça, que continuou sentada e sem se alterar. - É muita ousadia! Todo mundo marca lugar! - Isso é errado. O lugar é de quem pagar a passagem e chegar primeiro. E outra, se a senhora não fosse tão grossa, eu poderia até levantar e ceder o lugar. Mas por causa de sua falta de educação eu vou ficar onde estou! De lá do fundo do ônibus lotado, alguém gritou um “é isso mesmo”, ratificando a explicação da moça. A mulher bufou, recitou mais uma dúzia de palavrões. ...

Rêmoras, urubus, hienas e babões

Imagem
Eu não me lembro de quando aprendi sobre relações ecológicas, na escola. Aquele lance dos modos de relacionamento entre seres vivos de diferentes espécies: comensalismo, mutualismo, inquilinismo, parasitismo, etc. Em que série foi eu não sei, mas tenho certeza absoluta de que faz muito tempo!  Há alguns dias, assistindo à série prematuramente cancelada The Crazy Ones (assim como a vida de seu protagonista, Robin Williams), fui lembrada do relacionamento entre as rêmoras e os tubarões, chamado comensalismo. Como os pequenos peixes se grudam com ventosas para se alimentar dos alimentos que caem da bocarra dos grandões e ainda viajam longas distâncias. Outras relações – que a Wikipedia me ajudou a recordar – são entre os seres humanos e os urubus, as hienas e os leões.  Em tempos de campanha eleitoral, podemos incluir a relação ecológica entre os políticos e os babões. Funciona bem parecido com o papel desempenhado pelas rêmoras, urubus e hienas. Arrumam um “poderoso” ...